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Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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terça-feira, 25 de julho de 2017

41ª Festa da Tradição de Helvetia - 29 e 30 de julho





Homenagem à São Nicolau de Flüe

Padroeiro da Suiça-1417-2017

São Nicolau de Flüe nasceu em Sachseln, Cantão de Obwalden, o cantão dos helvecianos, filho de pais católicos fervorosos, dedicados ao trabalho na terra e gado.

A Suíça de seu tempo passava por conflitos entre os cantões da confederação, e Nicolau precisou pegar em armas, sempre na busca de justiça e paz, se tornando um herói de guerra.

Foi convidado a ser prefeito, mas não aceitou, preferindo se tornar juiz da corte local, onde permaneceu por 19 anos, reconhecido pelas decisões justas e sempre na procura da paz, daí o reconhecimento de todos como “Construtor da Paz”, contribuindo decisivamente para a realização do Tratado de Stans, que consolidou a “Confederação Helvetica”.

Casou-se com Dorothea, com quem teve 10 filhos. Mas, tão forte foi o chamado que recebeu de Deus, que decidiu-se pela sua consagração pessoal na solidão. Após dois anos de muito dialogo com a esposa, esta consentiu plenamente e deu o sim para Nicolau.

Em uma noite, dormindo no relento, Deus o contemplou com um sinal de aprovação de sua decisão, cauterizando seu estômago com um raio vindo do céu. Assim, o eremita Nicolau viveu pobremente, durante 20 anos, em sua choupana, dormindo sobre uma prancha, tendo como travesseiro uma pedra, e vivendo unicamente da eucaristia e da oração, aconselhando a todos que o procuravam.

Após uma dolorosa doença, faleceu no mesmo dia do seu nascimento, com 70 anos, e sua santidade foi reconhecida pela Igreja.

São Nicolau de Flüe, rogai por nós!

(Crédito do texto: Comunidade Helvetia)


Também será comemorado os 40 anos do Grupo de Danças Folclóricas! 

Muitos passaram por aqui nesses anos, e cada um deixou sua contribuição para enriquecer a cultura e e folclore! 





quarta-feira, 19 de julho de 2017

As três enxadas

AS TRÊS ENXADAS

Eliana Belo Silva

(pós escrito ao livro "O Crime do Poço" que você pode ler aqui)


O amor de mãe por seu filho  é diferente de qualquer outra coisa no mundo.
Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas
e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.
Agatha Christie


A primeira enxada – A desencabada


Colocaram o cadáver em dois sacos de juta que ali estavam esquecidos: um pelos pés, outro pela cabeça. Mas o que urgia agora era se desfazer do cadáver. Retiraram algumas tábuas que cobriam o poço abandonado, até obter um espaço suficiente por onde deixaram cair o cadáver. O barulho da queda foi bem pequeno, talvez pela profundidade do poço, que deveria ter setenta palmos. Precisavam agora, desesperadamente, aterrar o poço para eliminar qualquer prova. E os três se puseram logo ao trabalho para acabar o mais depressa possível com o macabro serviço. “Com uma enxada desencabada e velha que estava jogada no quintal da casa número vinte e um, rasparam toda a terra ensanguentada, que era muita, pois o sangue era muito... jogaram... a terra ensopada de sangue dentro do poço. Que depois pegaram a enxada, as botinas e o chapéu de Domênico e colocaram num outro saco que também jogaram no poço.... Atiraram para dentro do poço o pau de fumo com que Antônio N. havia morto Domênico, assim como tudo o mais que encontraram ao redor...”. A matriz Nossa Senhora da Candelária anunciava quatro horas da tarde quando o delito se deu por encerrado. (1)

A segunda enxada – A emprestada


Em dezembro de 1907 o jovem italiano Domênico de Luca foi assassinado em Indaiatuba em uma emboscada planejada para roubá-lo. Após o assassinato, os três criminosos confessos jogaram o corpo da vítima – que tinha apenas 17 anos de idade – dentro de um poço desativado, que recobriram com uma enxada que “foram descaradamente emprestar da minha avó Maria Pia”, conta Antonio Reginaldo Geiss (2), recordando uma das personagens de sua família que interagiram nessa história, que é uma das mais presentes no imaginário da cultura indaiatubana.

A enxada que Geiss se refere não é que foi usada no dia do crime, e sim uma outra que foi utilizada depois, no dia seguinte, quando os assassinos acharam que a terra que havia sido jogada por cima do cadáver ‘era pouca’. Chamaram então o ‘preto Delfino’ para fazer o serviço, que segundo os laudos do processo, fora emprestar a enxada de Dona Maria Pia. Ao depor, Delfino de Moraes, 40 anos, disse que, ao perguntar por que haveria de entupir um poço até então descoberto, o contratante respondeu: “tenho irmãos pequenos que podem cair ali. ”  Delfino entupiu o poço com tudo o que havia de terra no quintal, deixando o terreiro bem limpinho. E como ainda só havia aterrado o poço até um pouco mais da metade, Adão deu um pano para que fosse esticado na boca e preso nas bordas, recoberto e disfarçado em seguida com mais um pouco de terra.

Domênico era italiano, mas morava com sua família no bairro do Brás, em São Paulo, que fazia comércio, revendendo cereais produzidos em fazendas do interior de São Paulo. O menino que tão cedo perdera a vida tragicamente por dinheiro, havia saído de trem em direção a Piracicaba, justamente para efetivar negócios que aprendera com seu pai, o Sr. Modesto de Luca. No caminho, a composição parou na estação ferroviária de Indaiatuba – atual Museu Ferroviário _ onde ele desceu, já atraído previamente por um dos seus algozes, que sabia ser ele portador de dinheiro vivo. A família em São Paulo começou a estranhar a ausência de notícias do moço, pois ele não havia telegrafado nenhuma vez para atualizar sobre seu paradeiro. A mãe logo se agonizou e transformou a estranheza em profunda preocupação até que se desesperou ao saber que ele não havia desembarcado em Piracicaba.

O crime chocou a população urbana de Indaiatuba, que presumidamente não passava de 1200 pessoas, formadas por pequenos comerciantes, artesãos e trabalhadores livres, que moravam em casas simples, de barrote de pequena altura – a ponto de unirem-se em uma ‘vaquinha’ para construir um imponente (para a época) túmulo em homenagem ao jovem morto.  Essas casas geralmente possuíam pequenos jardins ou terreiros com pequenas hortas, árvores frutíferas e galinheiros, ou ainda, como escreveu o notável indaiatubano Nabor Pires Camargo, não só com galinheiros, mas pequenos zoológicos, com “frangos, cabritos, leitões, perus, carneiros, e algumas vezes até caças de pelo, como capivaras e pacas(3). Eram delimitadas, quando muito, por cercas de arame ou taquara.

A arquitetura só era diferente disso nas imediações da igreja Nossa Senhora da Candelária onde existiram alguns casarões nos quais 'residiam os ‘principais’ do lugar, como oficiais da Guarda Nacional, fazendeiros senhores de engenho, fazendeiros cafeicultores, comerciantes principais e autoridades locais” (4). Alguns fazendeiros moravam na sede das fazendas, mas tinham um casarão como habitação urbana, como por exemplo o Barão de Itaicy.

Alfredo Camargo Fonseca – o Major Alfredo, o chefe do executivo na época, o equivalente a prefeito atualmente; o delegado era João Firmiano de Souza, o Juiz de Paz era José Tanclér, que também era “camarista” (vereador) junto com mais seis pessoas: Antônio Estanislau do Amaral Campos, Antônio Ambiel, Francisco Celestino Guimarães, Benjamin Constant de Almeida Coelho, Luiz Gonzaga Bicudo e Alfredo de Camargo Fonseca (ele mesmo, que também era prefeito). O procurador (funcionário público que era responsável pela arrecadação de impostos) era Jordão Teixeira de Camargo e o fabriqueiro (5) era Luiz Teixeira de Camargo, que também era escrivão do cartório e escrivão da polícia.

O crime provocou muito alvoroço na pacata cidadezinha, numa época em que não tinha jornal nem cinema, e na qual a distração mais comum era visitar os compadres e comadres para conversar e tomar um cafezinho perto do fogão de lenha, após caminhar nas ruas de chão batido. Jogos, principalmente de cartas, também era um lazer comum, principalmente para os que frequentavam vendas e botecos. Fora algumas festas religiosas, principalmente as festas em louvor a padroeira Nossa Senhora da Candelária que eram realizadas desde a criação da freguesia, a vida transcorria bucolicamente. Tudo girava praticamente em torno da igreja matriz, único templo religioso da cidade construído em taipa de pilão, belo exemplo da arquitetura religiosa colonial paulista.

No sábado, dia 07 de setembro de 1907, os sussurros discretos sobre o sumiço do moço que havia chegado três dias antes e deixado a mala em um pequeno hotel na pequena Indaiatuba, se transformaram em fofocas fervorosas cheias de conjunturas. O assunto virou um fervo quando alguns perceberam que 'certas pessoas' estavam com mais dinheiro do que de costume e estavam fazendo apostas ousadas nos jogos das mesas de bar.

E outros dois parentes de Geiss se envolveriam na história, e de maneira definitiva para o seu desenrolar: José Tanclér, o juiz de paz, seu bisavô - e o delegado João Firmiano de Souza, seu tio-bisavô. Aconteceu quando o Sr. Modesto de Luca chegou em Indaiatuba. Sua vinda para cá é o capítulo mais fantástico dessa história: a mãe de Domênico, a Sra. Elisabete, sonhou (sim, ela sonhou!) Que o filho estava morto, em uma casa em Indaiatuba (6).

No dia 12 de dezembro, após ir para Piracicaba e confirmar que o filho não havia estado lá, o Sr. Modesto veio, incrédulo, para Indaiatuba. Recusava-se a acreditar para onde o destino lhe estava levando.

Aqui, a atenção se voltava para certas pessoas, que haviam ido para São Paulo fazer compras. De onde haviam conseguido tanto dinheiro?  O delegado-tio-bisavô de Geiss, João Firmiano, já estava na estação ferroviária quando o pai da até então “suposta vítima” chegou, exausto, triste, inconformado, cabisbaixo. E não só ele. A população já tinha o hábito de ir acolher cada composição que chegava na Estação. Aquela, então... Era especial. Só não foi a banda, que ia sempre em ocasiões de visitas ilustres por motivos óbvios. Oficialmente estavam com o tio-bisavô-delegado o prefeito Major Alfredo e o escrivão Luiz Teixeira. Mas extraoficialmente...

A delegação oficial levou o pai para o hotel onde o filho havia deixado a pequena mala. Era uma pista concreta, não era mais um sonho de uma mãe desesperada, que para enganar a si próprio, até então o pai julgara estar alucinando, surtando, ou simplesmente tendo um pesadelo. Logo em seguida, em comitiva pela cidade, acompanhado com o delegado-tio-bisavô, o Sr. Modesto viu a casa que sua esposa havia descrito.

Sem poder compreender aquilo tudo de forma concreta, Modesto sentia apenas sua tristeza aumentar. Não compreendia que o sonho havia cumprido um papel de mensageiro entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos. E embora acreditasse cada vez mais nessa informação, não lhe dava crédito o suficiente para utilizá-la como combustível para seu corpo e mente, cansados e confusos. Afinal, sonho era sonho, não havia provas e a realidade é coisa bem diversa. Renunciar à razão e entregar-se ao sonho significava enfrentar a dor do luto. Talvez por isso, a clara mensagem sobrenatural não se sobrepunha à razão: urgia continuar procurando o filho.

Modesto de Luca prestou queixa e o delegado-tio-bisavô acatou. Formalizado o desparecimento, a primeira atitude de João Firmiano de Souza foi dar importância às fofocas locais -  que ele mesmo acreditava e
... chegando ao meu conhecimento por queixa do cidadão Modesto de Luca, que seu filho Domênico desapareceu misteriosamente sem que se saiba o rumo que tomou e podendo haver no caso algum crime a apurar (...), digo procedente o desentupimento do poço.

Autoridades, repórter do jornal A Gazeta de São Paulo e o povo no quintal da casa, à beira do poço onde foi atirado o cadáver do mocinho Domênico de Luca. (7)

Logo em seguida, mandou prender um dos suspeitos. Sabendo da ordem de prisão, o padre debandou com sua batina arrastando no chão de terra batia e ordenou que o sino da igreja fosse tocado.

Era comum que quando ordens de prisão fossem expedidas, isso acontecesse. Mulheres com seus coques presos em lenços de chita benzeram-se com lágrimas nos olhos, certamente pensando, cada uma, em seu próprio filho. Livrai-me desse mal, amém.

A cidade agitou-se.

O suspeito preso negou por horas a fio. Até que o delegado-tio-bisavô teve uma ideia e estrategicamente armou uma arapuca com o Major Alfredo. E o plano foi posto em prática:

(...) numa certa hora, no meio do interrogatório, entrou de repente o Major Alfredo, e dirigindo-se diretamente ao criminoso, disse: _ É melhor você contar tudo, o cadáver foi encontrado no poço.  A firmeza do Major deixou o suspeito branco, que após vacilar um pouco, com a respiração ofegante e com os olhos voltados para o nada, finalmente começou a falar, quase que sem parar...

Geiss conta que entre “entre baixos e contrabaixos” o delegado-tio-bisavô, mesmo não tendo experiências como crime, pois na época a prática era rara, utilizou-se de sua experiência de vida e, percebendo o nervosismo do rapaz, que era justamente o mais novo dos três assassinos confessos, aproveitou-se da insegurança, provocando: “conta tudo, que os outros já confessaram”. E assim os outros dois nomes foram verbalizados.  Esse plano do delegado-tio-bisavô e a participação do Major Alfredo na cilada verbal ganhou notoriedade em jornal da Capital:

A ideia de que todas aquelas misteriosas circunstâncias ocultavam um crime começou a ganhar terreno e a pacata população, habituada à sua inalterada tranquilidade, começou a empenhar-se pelo caso, surgindo, como um dos mais interessados no descobrimento da verdade, o Sr. Alfredo de Camargo Fonseca, que tomou a si o encargo de prestar o seu apoio à autoridade policial. E foi ainda o Sr. Camargo que, percebendo indícios da responsabilidade de Adão. R., submeteu-o um dia a inteligente interrogatório, vendo, depois de alguma relutância da parte do interrogado, confirmadas todas as suas suspeitas. Adão R. confessara o seu hediondo crime, fora ele, com a cumplicidade de dois companheiros Antônio N. e Eugenio C. que perpetraram o tremendo delito, cujo móvel foi o roubo (8).

O juiz de paz José Tanclér estava presente no interrogatório e após a confissão, foi contar para o pai.
Achou-o em volta do poço, acompanhando atônito a retirada de cada pertence de seu filho no meio do mato morto e da terra umedecida pela chuva dos últimos dias. Até que, por fim, o cadáver do filho insepulto foi encontrado.

O delegado-tio-avô comunicou imediatamente o Dr. Washington Luís, Secretário da Segurança Pública de São Paulo, através de telegrama, que havia sido encontrado em um poço, na localidade de Indaiatuba, o cadáver de um indivíduo. A notícia foi destaque no jornal O Correio Paulistano:

Tratando-se de um hediondo crime, cujo motivo foi o roubo, a autoridade terminou o seu despacho requisitando a ida áquella vila de um médico legista, afim de proceder à respectiva autopsia. Essa diligência será effectuada pelo dr. Alfredo de Castro, que seguirá hoje pelo primeiro trem da S. Paulo Railway. (9)

O pai, após sepultar o filho em Indaiatuba, procurou pessoalmente e de imediato o Dr.  Secretário da Justiça e Segurança Pública de São Paulo para pedir providências a fim de “evitar a fuga dos miseráveis assassinos” que mataram o filho dele, em atroz assassinato em Indaiatuba (10). Debulhado em lágrimas, o pai da vítima contava “não oferecer a cadeia de Indaiatuba condições de segurança”. Receava que os amigos dos criminosos, mais dia, menos dia assaltassem a prisão, contando também para levar a cabo essa tentativa o eficiente destacamento policial. Consta que o Secretário da Justiça tranquilizou o desditoso pai, que num momento de natural desabafo havia repetido os pormenores do crime, lamentando a morte do filho que era toda a sua alegria e todo o seu orgulho.

Quando deixou de receber respostas aos telegramas que lhe dirigiu para Piracicaba – continuou o pai – teve logo o pressentimento de que alguma desgraça sucedera ao seu querido Domênico.

Nem por um momento passou pela mente que seu filho pudesse ter-se transviado, esquecendo-se dos seus deveres. E agora que não tinha mais remédio, que seu Domênico não existia mais, o velho pai desejava que “os bandidos que arrancaram para sempre o filho querido ao seu carinho, ao seu amor, tivessem o castigo devido e não se escapassem da cadeia para gozar, noutro lugar, da liberdade só concedida aos dignos e aos bons”. O Dr. prometeu tomar as devidas providências e os assassinos foram transferidos para a “cadea de Ytú”, sendo que, durante o período em que ficaram detidos em Indaiatuba foram, todos os dias, cada um deles, visitados por suas famílias (11). No dia 14 de janeiro de 2008 era noticiado (12) que o promotor público de Itu apresentava denúncia - naquela Comarca - contra os assassinos de Domênico.

Os três foram condenados.

No julgamento de cada um dos três, cada um jurou por Deus inocência e acusou os outros dois.

O mais jovem, Adão R., que se envolveu no crime quando tinha menos de 21 anos, foi condenado há 25 anos e seis meses de prisão e condenado a pagar ¼ do valor da quantia subtraída da vítima como multa.  No dia 28 de janeiro de 1908, o jornal Correio Paulistano anunciou que as mercadorias aprendidas na casa de comércio de Adão R. foram vendidas em praça pública; é provável que o numerário advindo desse comércio tenha sido utilizado para pagar essa multa ou parte dela.

A terceira enxada – A escada


Adão R. fugiu da cadeia de maneira inusitada: encostou uma enxada em um muro, escalou equilibrando-se e, segundo se falava a boca-pequena, veio buscar dinheiro em Indaiatuba para fugir para a Argentina, de onde vinha de vez em quando, sorrateiramente, visitar a família.  

O Dr. Washington Luís recebeu comunicação do delegado de polícia de Itu de ter-se evadido da cadeia daquela cidade o criminoso Adão R. (...), um dos autores do crime cometido há três anos em Indaiatuba. (13)

Adão R. – Condenado há 25 anos de prisão, fugiu da cadeia. (14)

O mais velho de todos, Eugenio C. foi condenado a 30 anos de prisão e foi absolvido de multas; o juiz entendeu que sua família não teria meios de arcar com essa despesa. Ele não cumpriu a pena completa pois morreu na prisão. Dos três, Antônio N. foi o único dos três que ficou encarcerado.

Incialmente também condenado à pena máxima, que era de 30 anos, cumpriu 21 após redefinição. Sua família foi a que mais recorreu da sentença e após ter confessado e condenado, mudou sua versão da história, dizendo por anos a fio que havia sido torturado pelas autoridades indaiatubanas para confessar o crime.

Eugenio C. – Condenado há 30 anos de prisão, morreu encarcerado. (15)

O julgamento de Antônio N. ganhou notoriedade na época. O jornal O Commercio de São Paulo (16) cobriu o acontecimento e dedicou quase ¼ de página para narrar em detalhes a condenação de Andó (apelido dele): o conselho, o interrogatório, a acusação, a defesa e o veredito foram descritos. O réu argumentou, segundo registrou o jornal, ter sido torturado à exaustão até que

... completamente desanimado, assinou o tudo quando as autoridades policiais quiseram, que as declarações dos autos foram feitas exclusivamente pela autoridade policial, sendo ele obrigado a assiná-las e que nega terminantemente ser autor do assassinato de Domênico de Luca.

O responsável pela acusação Carlos Alberto Vianna, sustentou a acusação recorrendo à condenação que já fora imposta aos outros assassinos, a provas dos autos, acareação, relatos de testemunhas e por último destacou a inútil habilidade do réu em tentar subtrair-se de suas responsabilidades no latrocínio. O advogado de defesa, Capitão Juvenal Leite do Amaral Coutinho iniciou a defesa desalentado (17), em vista dos julgamentos anteriores, de Adão R. e Eugenio C. Destacou que a causa de seu constituinte “já estava prejudicada pela opinião pública, que dominava poderosa e invencivelmente”.

Criticou as gazetas, que “exploraram os fatos espetacularmente, com a avidez” de quem só tem o foco na “venda avulsa”. Isso colocou seu cliente indefensável, o acusado, para ele, ficou em uma “atmosfera de rancores e prevenções que lhe tolhem a defesa” clima esse que já “domina a consciência dos senhores jurados”. Argumentou que o acusado Antônio N. fora envolvido no processo por dois motivos: pela inveja e pela vaidade.

Inveja daqueles que, em Indaiatuba não podiam com bons olhos ver o acusado feliz e prosperando em seu comércio, tirando sobejas recompensas das suas múltiplas atividades, todas honestas. A vaidade também agiu poderosamente, pois o crime de Indaiatuba era sensacional e oferecia, no descobrimento de seus autores, a glória à autoridade policial. Na falta de outros meios que pudessem dar o procurado resultado, implantou-se o regime de violência e da incomunicabilidade para arrancar confissões e se utilizaram de testemunhas que são verdadeiros comparsas da polícia. (18)

Mesmo com a mudança no depoimento, o veredito julgou o réu Antônio N. culpado e o condenou a 30 anos de prisão, sob protestos do advogado de defesa.

Também mesmo com inúmeros recursos, ele pagou pelo crime que cometeu e pelo qual foi julgado e condenado. Cumpriu a pena imposta e nada mais devia para a sociedade após sair da prisão.

Mas não foi isso que aconteceu, ele não conquistou a liberdade; essa ficou apenas na esfera documental, em uma autorização de soltura. Geiss lembra que quando era menino, por trás do balcão da loja do seu tio, certa feita Antônio N. passou por ali e as pessoas apontaram-no como 'o criminoso'. Ele estendia a mão para cumprimentar as pessoas, mas ninguém retribuía. Lembra-se vagamente que atravessavam a rua quando deparava com ele no mesmo caminho.  

O jornalista da Gazeta de São Paulo, que viera da Capital para acompanhar o desenrolar do crime, contou que, quando ele estava cobrindo o fato, ao redor do poço, ao lado do pai, Antônio N. que ali ficara, junto com demais populares, dissera:

- Aposto 100$ contra 2$ que nesse poço não tem nenhum cadáver!

Por essa e por outras histórias que se avolumaram, não houve como se reintegrar à sociedade de Indaiatuba.

Se a justiça o condenara e o livrara da responsabilidade após cumprir a pena, as pessoas do lugar, não deram a ele essa condição; não o livraram, jamais, da culpa por ter participado do crime que tão barbaramente ceifou a vida do jovem Domênico.  

 
Antônio N. – Condenado a 30 anos de prisão, cumpriu 21 anos. (19)

O comerciante Walter Nicolucci (20) conta que, na ocasião em que foi construído o Hospital Augusto de Oliveira Camargo na década de 1930, entre os tantos profissionais contratados da Capital para efetuar os serviços, um deles era um responsável pela pintura. Ele apaixonou-se por uma das descendentes de Antônio N., que vivia na cidade. Contaram para ele sobre o crime, sobre a “proximidade” que a moça tinha com o assassino.

_ Melhor não se casar com ela! - aconselharam.

Correu a boca pequena que até carta enviaram para a família dele em Portugal, dedando sobre a proximidade do moço com a filha do assassino. Obviamente o enamorado não deu importância para a restrição, casaram-se e constituíram família. Mas esse exemplo ilustra o quanto os familiares de Antônio N. carregaram o peso de um crime que não foi a família que cometeu.  

 

Antônio N. sendo interrogado pelo D. Mamede Silva, delegado de Itu, acompanhado do escrivão Luiz Camargo. Imagem feita no momento em que ele confessava o crime. Em pé, tomando notas, o Sr. Osvaldo Queiroz, repórter da Gazeta de São Paulo. (21)

Na década de 1940 estiveram em Indaiatuba profissionais de uma emissora de São Paulo. Geiss não se recorda bem, mas acha que era a Rádio Record de São Paulo.

Seu avô materno foi entrevistado sobre o crime e essa foi apenas uma das mídias que, durante mais de um século, divulgou essa história que até hoje emociona os indaiatubanos e aos que visitam o túmulo do menino Domênico, que foi eleito um Santo de Província, recebendo em sua sepultura ex-votos agradecendo várias graças alcançadas para quem reza para sua alma.



.....oooooOooooo.....



(1)  A história completa do crime do poço você pode ler no livro O Crime do Poço – Uma tragédia indaiatubana (Eliana Belo Silva, 2007) ou em meio digital a partir deste link.
(2) Em entrevista para a autora (datas diversas).
(3) CAMARGO, Nabor Pires. Recordações de um Clarinetista. Indaiatuba (SP): Fundação Pró-memória de Indaiatuba, 2000, (Crônicas Indaiatubanas - Volume 2).
(4) CARVALHO, Nilson Cardoso de. Os Casarões Antigos do Largo da Matriz de Indaiatuba. Disponível em http://www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br/arquivos/galerias/os_casaroes_do_largo_da_matriz.pdf
(5) Membro de uma paróquia, encarregado de recolher os rendimentos de uma igreja, administrar-lhe o patrimônio (que pode incluir o cemitério) e zelar pela conservação de alfaias e parâmetros.
(6) Algumas fontes atribuem o sonho ao pai, mas quem sonhou foi a mãe. Essa atribuição foi feita para poupar a mãe de depor no inquérito, uma vez que o sonho foi definitivo para esclarecer o crime e encontrar o cadáver do menino assassinado.
(7) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(8) O Correio Paulistano de 16 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(9) O Correio Paulistano de 17 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(10) Notícia publicada no Correio Paulistano de 18 de dezembro de 1907 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(11) Correio Paulistano, 08 de janeiro de 1908 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(12) Correio Paulistano, 14 de janeiro de 1908 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(13) Correio Paulistano, 27 de março de 1910 – Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(14) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(15) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(16) Jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908– Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
(17) Jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908 - Idem.
(18) Defesa de Antônio N., segundo publicado no jornal O Commercio de São Paulo de 18 de novembro de 1908.
(19) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.
(20) Em entrevista para a autora.
(21) Crédito da imagem: O Malho de 04 de janeiro de 1908.













quinta-feira, 13 de julho de 2017

Resultado das eleições de 1955 a 1992 em Indaiatuba

Crédito da pesquisa: Sivanei Antonio Pigatto
Publicado originalmente por Fábio Alexandre na Tribuna de Indaiá



Sivanei Antonio Pigatto, é um apaixonado por política. 

Acompanhando de perto a história de Indaiatuba desde seus 19 anos, sentiu a necessidade de resgatar detalhes que ajudaram a construir a cidade. 
Assim, durante dois anos e meio, pesquisou intensamente dados históricas da política local. “Fiz umas 25 visitas à Fundação Pró- Memória e à Câmara. Não foi fácil, pois muitas informações precisaram ser confirmadas”, conta, lembrando que a Tribuna foi uma de suas principais fontes de informação. 

Se quiser mais detalhes da pesquisa, entre em contato com o autor pelos telefones (19) 3875-3315 ou 7802-0317.










quarta-feira, 12 de julho de 2017

Agenor Tachinardi

Homenagem ao meu pai, Agenor Tachinardi 

Meu pai, meu companheiro! Memórias de infância 

Por Maria Helena Tachinardi 
Maio de 2017 

Meu pai e o rio Jundiaí se entendiam muito bem. A alma do rio, plácida e acolhedora, compreendia aquele homem afeito a pescaria aos domingos, nas tardes relaxantes dentro da mata fresca e perfumada, ensombreando o leito cristalino e silencioso do Jundiaí. Eram ambos criaturas de Itaici, o bairro que, até certo ponto, disputava fama com Indaiatuba, sobretudo pelo forte papel social da Estrada de Ferro Sorocabana: por aquele entroncamento passavam diariamente 12 trens de passageiros. 

As tardes de domingo com meu pai à beira do Jundiaí são inesquecíveis. Eu tinha seis, sete, oito anos ... e o acompanhava na preparação das iscas de miolo de pão e minhoca e no cuidado com as varas. Levávamos de volta para casa o samburá cheio de corimbatás, lambaris, traíras, bagres e cascudos. 

Quando eu nasci, meu pai tinha 31 anos, e certamente já pescava no rio Jundiaí, na altura do “rio cortado”. Hoje, só posso imaginá-lo sorridente, naquela época, praticando o lazer de que mais gostava. Meu pai me ninou quando eu era pequenina e mal respondia pelo apelido de “Maiena” dado por minha irmã, Vera. 

Papel social igualmente importante em Itaici, semelhante ao da estação da Sorocabana, teve meu pai com seus dois estabelecimentos comerciais que o tornaram referência na região: o Bar e Sorveteria Itaici e o Armazém Santo Antonio. Do primeiro, em frente à estação, lembro-me de um entra-e-sai de passageiros apressados que tinham os minutos contados para descerem do vagão, atravessarem a rua e serem atendidos por meu pai, sua mãe, Emma, por suas irmãs, Laura, Zulmira e Noêmia, e por minha mãe, Adalgisa. Vera e eu, tiquinhos de gente, nos misturávamos aos fregueses, que já nos conheciam, o que tornava aquele ambiente comercial uma extensão da casa onde todos morávamos, o casarão que, pela tradição oral, teria sido frequentado por Dom Pedro I, pois Itaici estava na rota da histórica Itu, para onde o imperador viajava a cavalo. O imóvel teria sido de propriedade do Chico Itaici, outro personagem da história local.  Nossa família providenciava tudo para satisfazer o apetite dos famintos passageiros: bolos, sanduíches, café com leite, sorvetes de massa e de palito. O empreendimento familiar prosperou, mas meu pai trabalhou tanto naqueles balcões que adoeceu: estresse, foi o que me lembro terem dito sobre o cansaço extremo que o acometeu. Esgotamento nervoso. Foi por isso que nos mudamos para a rua Candelária, em Indaiatuba, quase esquina com a rua 24 de maio, para ele descansar, mas para quem tinha nas veias o sangue de comerciante era difícil se afastar das atividades de comprar, vender, servir. Assim, meu pai, de dono de bar passou, no final da década de 1950, a vendedor do Café Interior, de propriedade de Roque Frias. Eu o ajudava a anotar os pedidos em armazéns, vendas e bares da região, e depois voltávamos para a entrega da mercadoria. Nosso carro era um Chevrolet, o “verdinho” da família, que cheirava a café. 

Foi por essa época que eu adoeci. Aos seis anos, tive febre reumática, sequela de uma infecção na garganta. Essa doença, provocada pela bactéria streptococcus, pode afetar o coração, mas, felizmente, e com a ajuda do meu pai, me livrei de consequências mais graves. Tive de abandonar o primeiro ano, mas como eu gostava muito da escola, minha mãe, que lecionava no Grupo Escolar Randolfo Moreira Fernandes, apanhava a lição com a dona Landinha e a levava para casa para eu estudar. Assim, não perdi o ano.

A doença me deixou quase paralítica: eu tinha muitas dores nas articulações, estava impossibilitada de subir um pequeno degrau e os dedos das mãos ficaram encolhidos. Lembro-me de o médico ter dito aos meus pais que o pus estava chegando ao coração e, se isso acontecesse, seria fatal. Assim, tomei muitas e muitas doses de penicilina aplicadas por meu pai, quem, sem nunca ter feito curso de técnica de enfermagem, virava-se muito bem nessa prática. Depois de debelada a infecção, fui submetida a uma cirurgia para retirada das amídalas, em Campinas. Fiquei tão fraca, tão debilitada, que meu pai me ajudava a caminhar, era quase um reaprendizado desse exercício. Em Itaici, íamos de mãos dadas até a caixa d’água que abastecia a Maria-Fumaça, perto da ponte, onde o trem seguia rumo a Indaiatuba e Itu. Meu pai assava pedaços de carne, dos quais eu apenas sorvia o suco para me fortalecer. A lembrança dos meus seis anos é da doença, de dores, de tombos, de perninhas fracas. 

De Indaiatuba retornamos para Itaici, onde meu pai, irresistivelmente, voltou para o balcão. Ele era, então, na década de 1960, o dono do Armazém Santo Antonio, à frente do qual se manteve até poucos anos antes de sua morte, em junho de 2004. 3 No total, Agenor Tachinardi esteve atuante nos balcões de seus estabelecimentos, em Itaici, por mais de 50 anos, período em que poucas vezes saiu para descansar. Quando isso acontecia era para pescar no rio Diamante, em Mato Grosso do Sul, com amigos. 

No Armazém Santo Antonio, de secos e molhados, meu pai atendeu toda a “turma”, isto é, os ferroviários que moravam nas casas ao redor da estação. Eles compravam fiado e pagavam as despesas mensalmente, quando passava o trem pagador. Nesse dia, as cadernetas precisavam estar atualizadas. Eu o ajudava nessa atividade. Meu pai fazia contas de cabeça e me ensinou a somar rapidamente, sem auxílio de calculadora, que nem fazia parte do cotidiano dos comerciantes à época. Tínhamos uma linda máquina registradora no armazém, moedor de café, máquina de cortar frios, balança no balcão e no chão, para pesar mercadorias pesadas, como sacos de cereais. 

O armazém do Agenor era completo e nele também trabalhou toda a família. Era separado da casa em que vivemos, na rua Joaquim Pedroso de Alvarenga, por uma porta. Junto a ela, ficava o telefone de parede, linha de número 23 muito usada para emergências médicas. O armazém era ponto de referência, uma espécie de posto comunitário, para onde moradores acorriam para pedir ajuda – meu pai teve algumas kombis que levaram doentes para serem atendidos em Indaiatuba. Agenor também aplicava injeções, e prestava todos esses serviços com a paciência de um comerciante que busca entender a alma de cada freguês. Atendeu muitos bêbados e figuras folclóricas do bairro, perdoou dívidas, nunca deixou faltar mercadoria e encarou por décadas uma rotina prazerosa para ele: levantar-se cedo, buscar pão para atender os fregueses e, sem descanso, atravessar o dia vendendo, recebendo viajantes, caminhões de entrega, até perto de 8 horas da noite. Certamente, foi ao mesmo tempo um comerciante como poucos, marido, pai, farmacêutico, assistente social e animador cultural, pois gostava de receber no armazém cantores de cururu e repentistas. O armazém era também, aos domingos, ponto de encontro musical e de alegria. 

Junto do armazém, por um tempo funcionou o açougue do meu avô Amadeu Tachinardi, que também oferecia jogos como entretenimento aos homens de Itaici. Ao complexo do armazém e açougue juntavam-se dois campos – um de malha e outro de bocha, que meu avô cuidava como se fosse a sala da sua casa. Eu ia com ele ao rio Jundiaí buscar areia fina e fresca carregada em uma carroça, para completar o piso dos dois campos, “machucados” pelo arremesso de bolas de 4 madeira lisas e riscadas e discos de metal. Depois de esparramar a areia, aplainávamos a superfície e as canchas estavam prontas para as partidas. No açougue, Amadeu produzia linguiça pura de porco, deliciosa, que fez fama junto aos passageiros da Sorocabana. 

Meu pai era um homem bonito, elegante, sorridente, capaz de falar linguagens compreensíveis a iletrados e cultos. Ele completou o curso primário e não pode prosseguir nos estudos. Formou as filhas e vibrou com as conquistas delas. Minha irmã, Vera Lúcia, falecida em julho de 2016, foi educadora respeitada em Indaiatuba, e supervisora de ensino. Sílvia Regina, minha irmã mais nova, é psicóloga, e eu sou jornalista. Minha mãe, Adalgisa, com quem Agenor esteve casado por mais de 50 anos, foi uma das professoras mais elogiadas na cidade. Desse casal amoroso nasceram as três filhas e os três netos: Romeu, Lúcia e Mariana. Os bisnetos, Joaquim, Gabriel, Luísa e o mais novo integrante da família – o bebê da Mariana que nascerá em junho [de 2017], um dia conhecerão a história do principal comerciante de Itaici, aquele que atendeu os seus concidadãos com humildade e nobreza de caráter.

Armazém em Itaici
Crédito: acervo familiar.
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