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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ESTUDOS SOBRE A HISTÓRIA DA ARQUITETURA EM INDAIATUBA - Parte 1: BARROCO

A Igreja da Candelária e nossas referências Barrocas

texto de Charles Fernandes

O Brasil foi descoberto, e na Europa, o Renascimento já estava passando progressivamente para o Maneirismo e logo se transformaria em Barroco.
A transgressão aos tratados clássicos de arquitetura, utilizados na renascença, marca o início do Maneirismo, e foi adotado como arquitetura da Contra-Reforma da Igreja Católica, e em seguida, trazida para o Brasil pelos Jesuítas
As plantas das igrejas Maneiristas e Barrocas abandonaram os transeptos (1) que criavam naves laterais, adotando como modelo ideal uma única nave que recebeu a adição de capelas laterais, que além de exercer função estrutural, suportando as altas paredes centrais, permitiam a inserção de altares de várias ordens religiosas em um mesmo local.
Essas modificações arquitetônicas, somada a inserção da língua local em vez do Latim, foram feitas  com o objetivo de elevar a atenção do fiel para com a missa, fazendo com que ninguém mais assistisse aos rituais  posicionados de lado para o sacerdote. Essa estratégia foi valorizada também na medida em que a disposição do altar mor, presbitério (2) e nave, passou a projetar a voz para uma mesma direção, melhorando a acústica destas igrejas, em comparação com as anteriores. 
Esse conjunto de diretrizes de construção, proposta no Concílio de Trento a partir de 1545,  foi amplamente usada no Brasil, inclusive em nossa Matriz da Candelária em Indaiatuba.

Convento do Carmo em Itu, construído no início do século XVIII, fachada tipicamente barroca, destacando os arcos abatidos das aberturas, e o formato movimentado do frontão (3) A posição das aberturas em relação a porta também é típico destas igrejas. Este convento situa-se no ponto mais elevado do local onde se instala a antiga Ytú e é uma das mais antigas edificações da cidade, podendo ser considerada, junto com a Igreja da Candelária de Itu, como as edificações mais importantes de sua época.

Na nossa região, cuja maior cidade era Itu, as primeiras Casas Bandeiristas, são conhecidas como Arquitetura de “chão”, desprovidas de grandes adornos ou linguagem rebuscada, pois o barro não colabora com a execução de minúcias, o que reflete a austeridade a qual a população era sujeita. Comparar estas casas com a produção do Litoral do Brasil, na mesma época, pode dar interessante panorama dos recursos que nossa região possuía. Enquanto no Litoral, muitos edifícios eram construídos com pedra de cantaria, muitas vezes finamente esculpida e adornada, unidas por cal de ostraria, no Interior de São Paulo, o que se tinha era o barro, de taipa de pilão, ou pau a pique. Essa austeridade ou até simplicidade vale ser citada, mesmo sendo Itu a porta do sertão, e por isso, a mais importante cidade da Província. (Para entender mais, leia O padre Sustentável na Terra do Imperador Menino).

Casa Bandeirista - Sítio do Mandú, século XVII, Cotia.

No Centro do Brasil, um dos maiores artistas do Barroco brasileiro foi Aleijadinho, e a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto é um dos exemplares mais interessantes.

Igreja de São Francisco de Assis, de Aleijadinho, em Ouro Preto. Século XVIII (foto do autor)

O Barroco possui uma estética própria, os ângulos retos e proporcionais da arquitetura clássica são substituídos pelas curvas e pela distorção da perspectiva, que é facilmente observado quando Aleijadinho explode o frontão da Igreja São Francisco de Assis de Ouro Preto, perspectivando-o, causando a impressão de que a igreja se abre para o adro(4) e abraça o observador. Nas imagens da Via Crucis de Aleijadinho, em Congonhas do Campo, podemos notar que as estátuas são quase caricatas, pois o escultor busca a EXPRESSÃO, busca enfatizar algum atributo através do exagero. A Arte Barroca não procura estabelecer regras, ou determinar proporções, ela busca emocionar.  Segundo Giulio Carlo Argan, o Barroco é ..."uma arte que tinha sua sede na imaginação e aspirava despertá-la nos outros. Como a técnica estava a serviço da imaginação e a imaginação era ilusão, a técnica era virtuosismo e até trucagem.”

O conceito absoluto de BELEZA não se aplica em arte, MAS A ESTÉTICA varia conforme movimento artístico, e a estética barroca, tem que ser  observada segundo a  ótica da época.  Cada período artístico possui o que podemos chamar de zeitgest, ou espírito de uma época. Traduzido ao pé da letra em alemão, é o conjunto de situações intelectuais e culturais que se apresenta em diferentes ocasiões  e que move a arte. Isso posto, entenda-se que cada época cria sua estética própria.

Na arquitetura, assim como em todas as artes, a BELEZA é um atributo subjetivo, cabe ao observador determinar, variando assim, conforme cada pessoa. Em arte, raramente você irá ouvir alguém falar em absolutamente belo, pois o que emociona você, pode não emocionar o outro.


Passos da Paixão de Cristo - de Aleijadinho, Congonhas do Campo (foto do Autor).

Grande parte das Igrejas Barrocas, possuem plantas Maneiristas de ângulos retos, mas existem no Brasil igrejas com planta puramente barroca, cujas curvas criam movimento, que faz parecer que o prédio todo chacoalha enquanto o observador o percorre, e a cada canto uma nova perspectiva cria um visual totalmente novo, proporcionando experiências visuais que extrapolam a racionalidade. Essa característica, classificada de diferentes maneiras a partir do que consideramos como "beleza" e "estética" na arquitetura,  é o ápice do Barroco no Brasil.


Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Ouro Preto,  Século XVIII (foto do Autor)

Em nossa região, na Matriz da Candelária de Itu, existe um incrível retábulo(5) Barroco no altar mor(6) todo com colunas torças, ou salomônicas, semelhantes às usadas por Borromini no baldaquino(7) de São Pedro* em Roma, e que se dizia serem iguais às usadas no templo de Salomão, muito utilizadas em interiores naquela época.  Nessa igreja do Século XVIII, o altar principal, chamado de altar mor, é sucedido de altares laterais e da nave principal onde existem capelas laterais; estas capelas também resolvem a necessidade de se transferir as cargas das altas paredes da nave, fazendo as vezes dos famosos arcobotantes(8) e são dedicadas à Santos das ordens religiosas presentes na cidade na época da construção.


 Retábulo Mor da Igreja de Nossa Senhora da Candelária de Itu, do seculo XVIII, há pouco tempo restaurado.

 É comum que o altar mor seja o mais antigo, ou o mais trabalhado, e que as capelas laterais sejam mais simples. Em Itu, o altar mor é de um barroco muito sofisticado, com elementos Rococó,  que marcam a última fase do Barroco. O Rococó, que vem do francês rocaille, se caracteriza por adornos não simétricos, semelhantes a conchas, que induzem ao movimento.

Retábulo Mor da Igreja de Nossa Senhora da Candelária de Itú. Sec. XVIII

Altar mor e interior barroco da Igreja de Nossa Senhora da Candelária de Itu, vista do altar lateral.

A primeira igreja construída no sítio da atual Indaiatuba*, a então Capela da Candelária, não podia ter composição diferente. Apesar de TARDIA, a edificação original em taipa, possui  as características de uma igreja Barroca (embora com poucos adornos, conforme já justificado) e teve sua primeira configuração finalizada em 1839.  É composta por altar mor, seguido dos cadeiris do presbitério e nave única com duas capelas laterais que sustentam as tribunas.

 Planta e corte transversal, feitos em 1838, por João Tibiriça Piratininga retratando a Capela de Nossa Senhora da Candelária de Indaiatuba.


Após modificações, essa capela original se aproxima de outras igrejas que podemos tomar como referência se levarmos em conta o formato dos frontispícios barrocos. Veja a "evolução" e  "adaptação" da linguagem desses frontispícios (fachadas):

Igreja do Carmo – Itu – Início do Sec. XVIII

Igreja de São Francisco de Assis – Ouro Preto – Fim do século XVIII

Projeto do Jazigo do Carmo – Itu - 1837

Igreja da Candelária - Indaiatuba – 1839 


As tribunas da nossa igreja, em pavimento superior às capelas laterais, teriam como função histórica possibilitar local privilegiado para pessoas importantes da cidade. Vale acrescentar que estes elementos e as grandes e altas paredes da nave, sob aspectos construtivos e ambientais, necessitam de estruturação, pois são feitas de barro, e devem ter contidas as forças resultantes perpendiculares à estas paredes. Mas além destas preocupações estruturais, os motivos ambientais são até mais interessantes.

Cortes da igreja, indicando a Candelária de Indaiatuba como construção com tribuna.

A igreja de Indaiatuba NÃO é uma basílica, pois não possui as paredes e janelas da nave diretamente para o exterior; essa disposição indicaria vitrais iluminados para o interior, proporcionando elementos de luz, mas que ao mesmo tempo, aumentaria a insolação da nave, e por consequência o calor de seu interior. 
Ao contrário disso, as janelas são voltadas para um ambiente onde se instalam as tribunas, que funcionam como sacadas abertas, espaço este semelhante a uma varanda, com janelas para o exterior e aberturas para o interior da nave e presbitério, permitindo assim, que janelas façam a ventilação cruzada, sem insolar o interior diretamente, proporcionando luz indireta.
A ventilação cruzada da nossa igreja está relacionada com a diferença de pressão do ar, insuflando ar mais frio e mais denso pelas portas, e retirando o ar mais quente e menos denso, que sobe e é sugado pelas aberturas das tribunas, mais altas, e depois pelas janelas para o exterior. 
Possuir tribunas em ambos os lados, proporciona outro fenômeno físico, onde a incidência de ventilação urbana em lados diferentes, faz a força do vento em uma face da igreja empurrar o ar para a outra face, criando um fluxo laminar, contínuo, entre as janelas de lados diferentes. O ar mais denso, frio e inerte, junto ao piso, vai em direção ao ar menos denso, em movimento contínuo, criando mais tendência a sair pelas tribunas e depois pelas janelas, assim como uma porta de ônibus lotado, quando se abre para um exterior menos denso, com menos pressão.
Ambientalmente a Igreja da Candelária é uma construção que, originalmente, apresenta enorme preocupação com conforto térmico.

No início do século XIX a Candelária de Indaiatuba possuía beirais, e sua imponência hierarquizava todo o entorno. Na fachada, a base do frontão está pronunciado em leve relevo, que determina um entablamento, composto de três partes: friso, arquitrave e cornija; enquanto a base das janelas das tribunas não possui todos estes elementos, e as pilastras são muito simples, toscanas,  exatamente como no Convento do Carmo em Itu.


Igreja Nossa Senhora da Candelária de Indaiatuba e seus beirais

A fachada original da Candelária, possui adornos que tem similaridade com construções da rica e grande Itu, a observar o frontão pouco comum, semelhante a Capela do Jazigo, adjacente ao  Convento do Carmo. As pilastras(9) na fachada, com entablamento(10) levemente pronunciados em relevo, indicando o nível do piso das tribunas laterais e marcando seu frontão recortado, também apresentam semelhança com a Igreja do Carmo. Na Candelária de Indaiatuba, o óculo(11) é substituído por um nicho(12) com sino. 

Conjunto arquitetônico do Convento do Carmo com a Capela do Jazigo à direita

A Capela do Jazigo é construída no mesmo ano que a fachada da igreja da Candelária em Indaiatuba, na década de 1830, e compartilham a mesma linguagem no frontão.
Além de relacionar as influências maneiristas e barrocas na construção da Igreja Nossa Senhora da Candelária de Indaiatuba, pudemos comprovar que a obra está em compasso com as técnicas construtivas disponíveis e se utiliza dos mais habilitados artesãos da região, indicando a inserção da cidade dentro do cenário econômico e político regional da época.

.....ooooo.....


GLOSSÁRIO

(1) Transepto -  é a parte de um edifício de uma ou mais naves que atravessa perpendicularmente o seu corpo principal dá ao edifício a sua planta em cruz.


Fonte: arteehistoriaepci.blogspot.com.br

(2)Presbitério – espaço que precede o altar mor, reservado aos presbíteros (sacerdotes).



(3) Frontão - elemento formal de arquitetura clássica de forma triangular que decora e encima a fachada principal de um edifício e é constituído de três partes essenciais: a cimalha (base) e as duas empenas (dois lados que fecham o triângulo).



(4) Adro –  Pátio externo descoberto fronteiriço às igrejas.
(5) Retábulo - estrutura ornamental em pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior de um altar.
(6) Altar Mor – Altar principal da igreja.
(7) Baldaquino - cobertura apoiada de 04 colunas que protege ou indica, um trono, altar ou escultura. 


Interior da Basílica de São Pedro em Roma, projetada por Bramante, 
e seu o baldaquino projetado por Borronini.


(8)Arcobotante é um elemento estrutural em forma de meio arco, erguida na parte exterior dos edifícios na arquitetura gótica para apoiar as paredes e repartir o peso das paredes e colunas.



(9) Pilastras – são pilares embutidos em uma parede que se apresentam em relevo, Os pilares possuem secção quadrada e as colunas, secção circular.




(10) Entablamento -  Elemento formal de arquitetura clássica, a parte superior de uma construção, acima das colunas, composta de arquitrave, friso e cornija.

(11) Óculo - elemento arquitetônico, sendo uma abertura na fachada ou no interior que pode ser redonda ou de outras formas, localizada geralmente acima de uma abertura principal ou inclusa em frontões.



(12) Nicho - reentrância ou vão em parede ou muro onde se colocam estátuas, imagens.


CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Este texto é voltado para o maior e mais novo grupo de estudiosos de arte e arquitetura da cidade de Indaiatuba, e que tem se destacado pela avidez por informações de sua história e cultura: os jovens alunos das escolas de nosso município. E para direcionar as informações de forma a facilitar a sua compreensão, é necessário introduzir alguns conceitos prévios sobre Arquitetura.

Vanguarda: Em Arte e Arquitetura, os estudos são feitos sobre o que é novo, sobre o que mudou, sobre o que foi criado ou introduzido em determinada época. Reproduzir o antigo não vai lhe render o título de vanguardista. Os maiores artistas de todos os tempos são lembrados por trazerem algo inovador na maneira de se pensar arte, na técnica ou maneira de se fazer arte. Quando alguma obra de arte, de certa importância é lembrada, mas que não é vanguardista, costumamos dizer que é “tardia” ou “anacrônica”, ou seja, está fora de compasso com a vanguarda.

Arte e Tecnologia: Arquitetura é a fusão de duas palavras, “arte” e “técnica”,  portanto pode refletir tanto características culturais e sociais, revelando, por exemplo, costumes de uma época, quanto de economia e tecnologia reproduzindo na maneira como se construía, a riqueza ou escassez de recursos de uma região.

Visão Horizontal, o olhar para o lado, para o que acontece junto! Arquitetura é uma ótima maneira de se estudar conteúdos diferentes de maneira simultânea, e exercita no jovem a necessidade de se entender as coisas de maneira transversal, sobrepondo datas e fatos históricos, com conhecimentos de biologia, geografia, filosofia e tudo mais que se pode estudar sobre o homem e o meio onde habita.

Patrimônio Histórico e Arquitetônico: A arquitetura é fruto das necessidades do homem, feita para certos fins, em certa época, portanto é muito comum que alguns edifícios entrem em desuso ou recebam outras funções com o passar do tempo, alguns são revitalizados e recebem novas funções, outros são recuperados, restaurados e voltam a atender funções semelhantes. No entanto, sempre que um importante edifício é demolido ou totalmente descaracterizado, alguma coisa da história se perde, e também se vai um pouco da identidade e das lembranças de cada um dos habitantes. Uma cidade sem lembranças é uma cidade sem identidade.

Quanto a ventilação e conforto térmico de prédios históricos, abordado na Igreja da Candelária, podemos ter duas abordagens:
           Uma diretamente relacionada a Física e Biologia, de evaporação da transpiração do corpo humano e como ela interage com o ambiente arquitetônico. Quando o corpo humano atinge o que chamamos de “calor latente” onde não consegue, por meios passivos, controlar o excesso de energia, ele inicia um processo de doação desta energia ao ambiente, através da produção de suor, e da EVAPORAÇÃO, deste líquido junto ao corpo. Cada grama de água necessita de 1 caloria para mudar de estado físico, e as moléculas de água em estado líquido, literalmente, roubam energia e saltam do corpo mudando para vapor d’água. O ambiente entra neste processo proporcionando meio INSATURADO de vapor, seco, próprio para que novas moléculas mudem de estado físico. Ao ventilar um corpo humano, você retira de sua superfície a camada de ar saturada de vapor, úmida, e proporciona que mais suor se evapore criando a sensação de ESFRIAR.

Na verdade o frio em si, não existe, o que existe é energia, calor é a sensação proporcionada pelo excesso ou ganho de energia, e frio é sensação de falta ou perda de energia; ao retirar energia de um corpo, doando para a água passar de líquido para vapor, estamos “sentindo” esfriar, o que na verdade é a perda de energia. Um ótimo exemplo disso, é quando assopramos um prato de sopa, nosso sopro não possui capacidade térmica para trocar tanto calor com a sopa quente, a ponto de esfriá-lo rapidamente, mas na verdade, ele retira a fumacinha de vapor d´água de cima do prato, e possibilita que mais sopa evapore, e esfrie o prato. Outro exemplo é a velha TALHA de BARRO, que mantém sempre a água fresquinha, somente porque o barro não é impermeável, e quando a talha fica suada, por causa da água que consegue atravessar suas paredes, ela imita o corpo humano, evaporando e esfriando a talha; se  pintarmos a talha, impermeabilizando-a, ela não esfriará a água. Em arquitetura, proporcionar ventilação pode contribuir com a SENSAÇÃO de conforto através da troca de energia com o ambiente. 

Quando muita gente se aglomera em um ambiente, toda essa troca de calor pode esquentar sensivelmente o local, e para retirar este ar quente, trocando-o por outro mais ameno, entramos então com nossa segunda abordagem, Aerodinâmica Arquitetônica, ou estudo do movimento do ar em edifícios.
O raciocínio é bem simples, com poucos fenômenos:
Quando aperta de um lado, é melhor ir para onde não está apertado, portanto o ar com mais pressão, tende a se movimentar para onde o ar possui menos pressão.
O calor, faz com que as moléculas se movimentem mais, ocupando mais espaço que a mesma quantidade de moléculas mais frias, o ar mais quente é menos denso e mais leve, que o ar frio mais pesado. O ar quente tende a subir e o ar frio a descer.
Ao se movimentar o ar adquire menos pressão que o ar parado, e o ar parado com mais pressão, tende a ir para onde o ar se movimenta com menos pressão. Esse fenômeno entre outras coisas, é usado nas asas dos aviões e pás de helicópteros, onde a superfície de cima é convexa, abaulada, e a de baixo mais plana, o ar ao passar pela asas, percorre mais superfície na parte de cima que na parte de baixo, e adquire mais velocidade acima, e por consequência menos pressão, este diferencial de pressão entre a parte de cima e de baixo dá sustentação a um avião.

                Proporcionar Ventilação em arquitetura visa criar situações contínuas para a movimentação do ar dentro de um ambiente. Entendendo as características citadas, o arquiteto projeta caminhos onde separa o ar com mais pressão determinando saídas que somente são possíveis quando se proporciona entrada de ar com diferenciais de pressão e temperatura, chamamos isso de Ventilação Cruzada.
                Criar Ventilação Cruzada,  visa determinar aberturas geralmente em locais altos do prédio para retirar o ar quente, e insuflar ar frio geralmente por baixo em outras aberturas, criando movimentação no ar.
                Dotar o prédio com aberturas para lados diferentes, também cria diferentes pressões do ar nas faces, e faz com que haja movimento contínuo do lado de maior pressão para o lado de menor pressão, levando com este movimento, ar de outros ambientes que tendem a ir para onde o ar está se movimentando.
                Estas preocupações com conforto térmico e ventilação são constantes em prédios históricos, pois a falta de tecnologia exigia que os cuidados ambientais com o edifício fossem muito maiores que nos dias de hoje, na busca por construções mais sustentáveis devemos olhar com mais cuidado e carinho para nosso passado.
           
Para compreensão de outros fenômenos relacionados ao conceito de conforto térmico em edifícios históricos, leia O Padre Sustentável na Terra do Imperador Menino", onde achará conteúdos de insolação e inércia térmica.

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Quer colaborar, criticar, acrescentar informações a este estudo? 
Escreva para elianabelo@terra.com.br ou charlesarquiteto@terra.com.br

https://www.facebook.com/CharlesFernandesArquitetura/

Um comentário:

  1. Bom dia professora Eliana. Adorei o texto sobre história da arquitetura da matriz candelária, mas tenho uma sugestão. Na parte do glossário que tal a senhora colocar fotos da matriz? Assim agente entende mais.

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