sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Vila Avaí



Com bastante tradição no futebol, a Vila Avaí já é um dos bairros mais conhecidos de Indaiatuba. Neste post, acompanhe uma viagem pelas lembranças dos moradores e entenda a importância da união de uma Associação, sem esquecer dos causos e lendas de lobisomens, homens gigantes e noivas fantasmas.



Vila Avaí - Imagem de 1974 da ETA I


Fundada há mais de 50 anos, a Vila Avaí é um bairro bastante tradicional de Indaiatuba. Reconhecido pelo aclamado 'Vilaço', o famoso campeonato de futebol realizado em um campo da localidade, a Vila também tem muitas histórias interessantes e algumas lendas guardadas pelos moradores mais antigos.

Maria Inês dos Santos, mais conhecida como Dona Inês, mora na Vila Avaí desde 1969. Hoje, com 60 anos, a simpática senhora é proprietária de um bar que fica bem próximo ao campo onde são realizados os jogos do campeonato.

Nei e Dona Inês, moradora na Vila Avaí desde a década de 1960


Há 17 anos à frente do estabelecimento e com muitas histórias guardadas na lembrança, Dona Inês conta que, quando chegou ao bairro, existiam poucas casas no local. “Aqui era uma região afastada do centro, o campo, por exemplo, era só terra. Existiam poucas casas, e onde é a Vila Suíça hoje, existiam apenas plantações”.

Silvio Ribeiro Paiva, vice-presidente da Associação Amigos de Bairro Vila Avaí em 2013


Silvio Ribeiro Paiva, mora no bairro desde 1994 e atualmente (2013) é o vice-presidente da Associação Amigos de Bairro Vila Avaí. “Pelo que os antigos contam, o bairro começou nas décadas de 50 e 60, onde haviam poucas ruas e a maior parte era tomada por um cafezal. Existia uma espécie de fronteira, que era a linha do trem”, relata.



O vice-presidente também conta que, quando chegou ao bairro, reuniu um grupo de pessoas e, juntos, tiveram a ideia de reformar o campo da Vila Avaí, que estava todo destruído e acumulando entulhos. “Nós arrumávamos um pouco aqui, um pouco ali, fazíamos vaquinhas para comprar redes novas e começamos a retirar os entulhos com carriolas”, comenta. “Ao final da tarde de um dia já tínhamos retirado umas 40 carriolas e começamos a pensar que precisávamos cuidar melhor do bairro e fazer um movimento organizado”.




Atualmente (em 2013), Silvio conta que a Associação é toda legalizada de acordo com a Receita Federal. “Membros atuantes nós temos poucos, até porque o serviço é voluntário. Cerca de sete ou oito. Mas em toda reunião aparece um bom número de pessoas, e nós sempre convocamos o pessoal do bairro para comparecer



Porém, a Associação, segundo Silvio, não foi criada apenas para o esporte do bairro. “O que muita gente pensa é isso, mas nós fazemos diversas ações sociais também, como arrecadar alimentos, brinquedos e muitas outras coisas”.

Atuando ainda na parte educacional, o morador conta que as crianças recebem orientações que podem ser guardadas por toda a vida. “Se você pegar o campo, por exemplo, nós tentamos ensinar que elas podem jogar o dia inteiro e acabar com o gramado. Aí amanhã, se ninguém ligar, o que acontece? E as outras crianças que vêm depois? É importante aprender a conservar e preservar os espaços”.

Falando em conservação, na Vila Avaí também está localizada uma das Estações de Tratamento de Água (ETA) do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae). A ETA I é responsável por abastecer a Zona Norte e o Centro de Indaiatuba. Com capacidade de tratamento estimada em 400 litros por segundo, a água bruta é captada nas represas do Cupini e Morungaba (40%) e no Rio Capivari-Mirim (60%).


ETA I - Imagem de 2012

Além disso, o maior reservatório de água tratada da autarquia foi  construído ao lado da ETA I, na área do Complexo II. Com capacidade para armazenar 6,3 milhões de litros de água tratada, aumentando em mais de 100% o volume de reservação. Essa obra foi concluída em 2013.

Outro fato curioso, lembrado por Silvio, foi a época em que uma escola de samba seria instalada onde hoje fica o campo de futebol. “Eles queriam construir uma escola de samba ali, já estavam até com os carros alegóricos acomodados”.

O residente conta que os moradores, ao saberem do fato, se reuniram e fizeram um manifesto, paralisando uma das avenidas da cidade após colocarem fogo em uma barreira feita com pneus. “Nós temos que lutar pelos nossos direitos, e sabíamos que daquele jeito seríamos ouvidos”, relata. “Temos que enxergar a Associação como uma ponte. É através dela que nós vamos buscar a solução com o Poder Público para trazer as melhorias para o bairro”, finaliza Silvio.

Lendas

Nascido e criado na Vila Avaí, Sidnei Alves de Alcântara, o 'Nei', senhor bastante risonho de 53 anos, também resgatou algumas memórias para falar sobre as lendas mais antigas do bairro.

A primeira história causou o temor dos moradores na década de 80, segundo 'Nei', que conta a respeito de um mistério já solucionado, mas que ficou conhecido como o 'Lobisomem da Vila Avaí'. “Na verdade o que a gente chamava de lobisomem era um cachorro bem grande, que fugia do sítio onde morava e subia nas janelas das casas do bairro”, relata. “Em pé, com as patas dianteiras para cima, o cachorro devia medir uns 2,30 metros”.

Outra lenda relatada pelo simpático senhor diz respeito a um homem gigante. “Ele era mais alto que um poste”, conta. “Nós o vimos passando ao longe e fomos atrás, mas quando chegamos perto de onde ele estava não tinha mais nada, ele havia desaparecido”.

'Nei' também conta a história da noiva fantasma, que ficava em uma porteira. “Ali perto da 'porteira de ferro' tinha um mata-burro, mas ninguém passava por lá durante a noite por conta de um vulto branco. Era uma noiva que assombrava o local. Eu tinha medo de ir pra lá”, brinca.

Futebol

Comentando sobre a fundação do time da Vila Avaí, Silvio relata que, na época em que a equipe foi formada, os jogadores não possuíam uniforme. “O Santos, logo após ser campeão mundial na década de 60, desceu de um voo ali em Viracopos”, relata. “Como um jogador aqui da Vila trabalhava no aeroporto, ele percebeu que a equipe santista havia esquecido os uniformes lá, então ele pegou e trouxe para o time do bairro. O primeiro uniforme nosso foi o do Santos”, comenta.




Considerada como um berço de diversos bons jogadores, a Vila Avaí também oferece o evento Supercopa Vila Avaí de Futebol Minicampo, que é realizado pela Associação Amigos de Bairro e já se tornou um dos mais tradicionais campeonatos de futebol amador da cidade, levando alegria e lazer a toda Indaiatuba.

“No primeiro campeonato apareceram oito times, e todo mundo jogava de um jeito meio estranho. Alguns jogadores até utilizavam sapatão ao invés de chuteira”, brinca Silvio. “Mas, com o passar do tempo, a coisa foi ficando mais séria e ganhando corpo, e a cada edição nós sentávamos para estabelecer as novas regras e deixar a competição cada vez melhor”.

Em 2012, o minicampo da Vila Avaí recebeu 20 equipes, 360 atletas e centenas de torcedores, que acompanharam toda a festa esportiva e ainda fizeram parte de uma campanha sócio-educativa chamada Campanha Torcedor Nota 10, realizada pelos organizadores da Supercopa.

Com a distribuição de cinco mil panfletos e conversas entre torcedores, dirigentes e jogadores, a organização do evento mostrou ao público que visita a Vila Avaí que todos são muito bem vindos, mas que devem tomar algumas atitudes para que o campeonato continue sendo um espetáculo seguro e voltado às famílias, seja dos jogadores ou não.


A campanha mostrou, sobretudo, que o exemplo é o que conta, fazendo com que o futebol continue sendo um esporte, um lazer e um entretenimento. “Devemos cuidar para que nossos torcedores façam parte do espetáculo de forma respeitosa, ordeira e pacífica para termos um evento cada vez mais forte e bonito, lembrando que uma sociedade melhor depende de pessoas melhores, e que o que faz uma pessoa ser melhor são atitudes pequenas do dia a dia, plenamente possíveis de serem executadas, especialmente quando se assiste a um jogo de futebol, respeitando a todos que estão em volta”, explicam os membros da organização.


Texto originalmente publicado na REVISTA EXEMPLO IMÓVEIS
Agradecimentos: Sr. Aluísio Williampresidente do Grupo AWR
Larissa Ferreirajornalista.
Texto de Leandro Povinelli
 As imagens e o texto deste post possuem créditos. 
Cite-os se utilizar para sua pesquisa.


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