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Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Divisas de Indaiatuba

MUNICÍPIO DE INDAIATUBA
(Criado em 1859)


Divisas Municipais de acordo com a Lei Nº 8.050, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1963*

1 - Com o Município de Monte Mor

Começa no divisor entre as águas do ribeirão Mandacaru e córrego Santa Idalina, de um lado, e as dos ribeirões Campo Grande ou Monjolo Grande e Caninana, do outro lado, no ponto de entroncamento com o contraforte nerte as águas do ribeirão Campo Grande ou Monjolo Grande, à direita, e as do ribeirão Caninana, à esquerda; segue por este contraforte até a foz do ribeirão Campo Grande ou Monjolo Grande, no rio Capivari-Mirim; sobe por este até a foz do primeiro córrego, à margem direita abaixo do córrego Mato Dentro.

2 - Com o Município de Campinas

Começa no rio Capivari-Mirim na foz do primeiro córrego da margem direita, abaixo do córrego Mato Dentro; sobe pelo rio Capivari-Mirim até o tanque da Fazenda Bom Fim.

3 - Com o Município de Itupeva

Começa no rio Capivari-Mirim, no tanque da Fazenda Bom Fim; sobe pelo córrego da Fazenda Quilombo, sobe por este até sua cabeceira mais meridional, no espigão entre as águas do rio Capivari-Mirim, ao Norte e as do rio Jundiaí, ao Sul; alcança na contravertente a cabeceira mais oriental do córrego da Fazenda Itatuba, que nasce ao Norte da Fazenda Santa Teresa; desce por este até o rio Jundiaí; desce por este até a foz do ribeirão Santa Rita; sobe por este até sua cabeceira mais meridional, no espigão entre as águas do rio Tietê, ao Sul, e as do rio Jundiaí, ao Norte
.
4 - Com o Município de Itu

Começa no espigão entre as águas do rio Jundiaí, ao Norte, e, as do rio Tietê, ao Sul, na cabeceira mais meridional do ribeirão Santa Rita; segue pelo divisor que deixa, à direita, as águas do córrego do Valério, e, à esquerda, as do ribeirão Água Branca ou Cana Verde até a foz do córrego do Valério, no ribeirão da Grama.

5 - Com o Município de Salto

Começa na foz do córrego do Valério, no ribeirão da Grama; segue, em reta, até a cabeceira mais oriental do córrego Barreirinho; desce por este e pela água do Barreiro até o rio Jundiaí, pelo qual sobe até a foz do córrego Joana Leite; sobe por este até sua cabeceira mais ocidental, indo depois, pelo divisor fronteiro até o contraforte da margem esquerda do córrego do Garcia; segue por este contraforte até a foz do córrego do Garcia, no ribeirão Buru; sobe por este até a foz do segundo córrego abaixo da foz do córrego do Rosa.

6 - Com o Município de Elias Fausto

Começa no ribeirão Buru, na foz do segundo córrego abaixo da foz do córrego do Rosa; sobe pelo ribeirão Buru, até a foz do córrego Campo Bonito; segue pelo contraforte entre estes dois cursos de água até o espigão entre as águas dos rios Tietê e Capivari-Mirim; continua por este espigão até o divisor que deixa, à esquerda, as águas do córrego Santa Idalina e ribeirão Mandacaru, e, à direita, as dos ribeirões Campo Grande ou Monjolo Grande e Caninana; segue por este divisor até seu entroncamento com o divisor entre os ribeirões Campo Grande ou Monjolo Grande e Caninana, onde tiveram início estas divisas.



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Inscrições para Oficina do Patrimônio de novembro do Pró-Memória e UNICAMP

A Fundação Pró-Memória recebe a partir de  sexta-feira (23 de outubro) as inscrições para mais um curso gratuito do projeto Escolas do Patrimônio, projeto que vêm executando deste 2014 em parceria com a UNICAMP e que está trazendo para Indaiatuba profissionais da área de ciências humanas para ministrar cursos gratuitos de excelente qualidade. São mestres, doutorandos e doutores que em oficinas ministradas no Casarão e em locais específicos complementares - para estudo do meio - estão proporcionando acesso ao que está sendo produzido, discutido e indicado nas universidades.

Para a oficina de novembro, o tema será: Memória, História Oral e Patrimônio Cultural com a professora doutora Olga de Moraes Von Simson e a professora Doutoranda Lívia Lima. 

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas no site da Fundação - www.promemoria.indaiatuba.sp.gov.br, - ou por meio do telefone (19) 3875-8383.


Ementa: Compreender a importância dos estudos sobre a memória englobando as contribuições das muitas áreas disciplinares que se voltam à sua pesquisa e estudo, é de importância fundamental para a discussão da tríplice proposta que ora apresentamos juntando História Oral e Patrimônio (material e imaterial). 
A História Oral como método de pesquisa nos fornece a possibilidade de recolher, analisar e compreender a memória mais recente, a partir de diferentes membros de uma mesma sociedade.
Temas: discutir a Memória, História Oral e Patrimônio enfocados através das metodologias de pesquisa no campo das Ciências Humanas e Sociais. 
Ressaltar a contribuição da oralidade, associada à visualidade, através da coleta e análise de fotos históricas, que nos permitirão melhor compreender às questões voltadas ao patrimônio, seja ele material ou imaterial. 
Para desenvolver essa proposta faremos a escolha dos informantes a partir dos 40 anos de idade, cobrindo diferentes gêneros e escolhendo representantes de várias classes sociais.
“Também teremos atividade pratica e pedimos aos participantes da atividade que nos tragam fotos de sua infância e adolescência que serão fichadas e analisadas com orientação dos pesquisadores”, comenta o superintendente da Fundação,  o professor Doutor Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, que em conjunto com o professor Doutor Marcos Tognon, da UNICAMP, são os "patronos" desse projeto, que vêm capacitando os educadores de Indaiatuba, trazendo benefícios imensuráveis para as áreas de História e Educação, mas também no que tange à ao patrimônio, memória, cultura e cidadania.


ESCOLAS DO PATRIMÔNIO


O programa implantado em junho do ano passado já atendeu mais 1.000 interessados entre educadores, profissionais liberais, servidores públicos e demais interessados. A Fundação Pró-Memória de Indaiatuba em parceria com o Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas, que por meio do projeto de extensão, busca atender a demanda da comunidade nas diversas áreas do saber relacionadas à história, memória, patrimônio histórico, cultural e ambiental. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Lembranças do Randolfo e de Arnaldo

Por Edgard Steffen

“Esperança e Glória” (Hope and Glory) excelente filme do diretor John  Boormann, conta a história de uma família londrina durante a 2ª Grande Guerra Mundial, pela ótica de um menino de 9 a 10 anos. A ação ocorre em meio aos bombardeios de Londres e mostra as modificações  psico-sociais, a influência  da guerra  sobre o comportamento e os valores da família, as adaptações das pessoas ao dia a dia da conflagração, os bombardeios de Londres, as reações do menino, os brinquedos e brincadeiras em meio aos destroços e o fim antológico: a alegria das  crianças quando descobrem que sua escola havia sido destruída num  bombardeio. 

Para mim esse filme teve um sabor todo especial: o menino-personagem da história teria quase a mesma idade que eu tivera durante o conflito; levei a vantagem de estar a milhares de quilômetros daqueles acontecimentos e a mais parecida com o bombardeio que vivenciei foram os rojões e morteiros que escaparam sobre o telhado de nossa casa, no centro de Indaiatuba, São Paulo, quando o partido político a que meu pai pertencia perdeu a eleição de 1934. 

Se uma hipotética bomba (a imaginação de criança não tem limites...) caísse sobre o Grupo Escolar “Randolfo Moreira Fernandes”, eu e meus colegas certamente choraríamos em vez de ter a esfuziante alegria das crianças do filme.


          
O “Randolfo” era, para minha geração, o “Grupo Novo”. 



Recém inaugurado, pelos seus corredores e salas circulavam figuras emblemáticas como “seu” Eulálio Rosa Cruz (diretor), “seuCarlos Tanclér (porteiro) e as professoras como a terna Hosana, a  rígida Francisca (Yaiá) ao lado de Yolanda (minha irmã), Silvia, Áurea, Maria José (Zezé), Helena, Alice e outras esquecidas nos meandros de minha memória.

Exerciam, com dignidade, a missão de ensinar tanto letras, contas, geografia, história quanto cidadania. A todas se dedicava o respeito de chamá-las pelo prenome acrescido do título “professora” ou pelo popular (mas respeitoso) “Dona”. Jamais poderíamos imaginar que, um dia, professores viriam a ser tratadas pelo “Tia”. 

Esse qualificativo – aparentemente carinhoso – sem o prenome ou sobrenome, coloca-as na vala comum da impessoalidade, como vem acontecendo desde a década de 80. 

Explanado meu protesto contra a impessoalidade de tio, onde hoje é nome de escola estadual, esteve pouco tempo em Indaiatuba, porém graças à personalidade, à capacidade de impor disciplina aliada à didática eficiente, sua figura viria permanecer indelével na memória dos que foram seus alunos. 

Ex-jogador de futebol, carreira interrompida por lesão do menisco, não dava aulas de educação física; substituía- as por jogo de futebol, no campo do “Primavera”, localizado nas vizinhanças do grupo escolar

Com seus próprios recursos comprou uma bola oficial de couro - bola de “capotão” era objeto de desejo para quase 100% dos meninos que jogavam futebol na rua e tia...voltemos ao “Randolfo”.

Um jovem destacava-se no contexto: Professor Arnaldo Rossi. Vindo de Pedreira com bolas de meia ou de borracha – e formou um time completo. Todos participavam da aula de futebol e os mais craques eram escalados no time principal, também uniformizado pelo mestre Arnaldo. O ovo de Colombo para fazer aquele grupo de meninos (alguns retardatários já em plena puberdade), pouco afeitos ao estudo, interessarem-se pelas aulas de aritmética, linguagem, geografia e história, constituía-se em medida extremamente eficaz: o castigo para os preguiçosos e para os indisciplinados era não participar dos treinos e jogos. 

Fez milagres! 

Repetentes contumazes puderam participar da fotografia comemorativa da turma de 1941. 

A maioria dos formados  seguiu suas vidas sem que o futebol fosse parte principal de suas vidas. Alguns daqueles jogadores-mirim, Bebé (Abel Von Ah), Waldir (Bicanca), Sanã, entre outros, viriam fazer parte do glorioso E.C.Primavera e de outros clubes de futebol profissional. 

Laércio Milani, o grande goleiro do Palmeiras, do Santos e da Seleção Paulista provavelmente jogou no time do Randolfo, antes da Portuguesa Santista descobri-lo no “Primavera” e introduzi-lo no futebol profissional.

Para aqueles meninos e moços da turma de 1941, o professor futebolista era um ídolo. Num tempo em que as aulas de ginástica no curso primário mais pareciam brincadeiras de roda, coisa de meninas brincando nas ruas, aquele professor – alto, magro, elegante em seus ternos claros – ensinava a classe a se posicionar em campo, chutar de trivela, bater certo na pelota para aumentar a velocidade e aprimorar a direção da bola. 

Chegava a tirar seu paletó e mostrar, na prática, como se fazia. 

Lembro-me de um desses dias em que, entusiasmado, bateu bola mais vezes do  que a prudência recomendava; com fácies de dor, levantou a barra da calça para avaliação do estrago. Os alunos que estavam perto, puderam ver o inchaço que se formou naquele joelho que frustrara a carreira do futebolista (centeralfo, se não me trai a memória) para dar vez ao mestre dos alunos difíceis. 

[Mais de] Sessenta e três anos passados, sua memória continua viva, respeitada e reverenciada.

           
Modestamente, este é o objetivo desta crônica.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CARRO DE BOI

Texto de Henrique Ifanger
Do livro Fragmentos de Memórias que você pode ler completo aqui.



Em 1919, as famílias de João e José Amstalden compraram a fazenda Bela Vista, que era de propriedade do Sr. Guilherme Cotching, negócio de que meu pai foi intermediário. 

A compra foi negociada por cem contos de réis. 

A comissão rendeu dois contos de réis. Com esse dinheiro, ele comprou um carro de bois com oito bois amestrados, do Sr.Juca Balduíno, com todos os equipamentos necessários e em condições para trabalhar. 

O primeiro empregado que tinha prática em conduzir o carro de boi, chamava-se Franquito Canali; quando casou-se, foi substituído por seu irmão João Canali. 

Como este era muito violento com os bois, meu pai dispensou-o e, no lugar vago, meu irmão João Netto substituiu-o. 

Como Joãozinho conhecia os nomes dos bois e das vacas leiteiras que estavam no mesmo mangueirão cuidado pela Benedita, que tirava o leite, era só chamá-los que cada um ia chegando no seu lugar; depois era só levantar a canga no pescoço do boi, travar a brocha, prender a chifradeira em cada par, e estava pronto para o trabalho. 

O carro de boi era muito útil para o transporte pesado, como toras de madeira, lenha, cereais ensacados. 

Só que era muito lento, nem todos os dias podia trabalhar, pois tínhamos uma carroça com dois burros que fazia pequenos transportes e mais rápidos. 

O Joãozinho tinha que controlar os empregados, distribuir serviço para onde era mais necessário. Aos sábados, ele preparava a tarefa para todos. 

Concluído o trabalho, estavam livres; iam para casa com o pagamento semanal.

Fonte da imagem: onordeste.com



COMO ERA FEITO O CARRO DE BOI 

Quanto ao carro de boi vamos falar alguma coisa. 

Como era feito. 

O carro de boi era um veículo construído quase totalmente de madeira de boa qualidade, constituído por um par de rodas, fixado em um eixo, formando um grande carretel. 

Cada roda é formada por três pranchas inteiriças, primeiro juntadas com cavilhas e depois serradas com serra curva em forma circular. 

A madeira usada era geralmente a cabreúva. Era construída por carpinteiro bem prático, para juntar as três pranchas, que eram de dez centímetros de espessura. 

A junção das pranchas se faz por meio de duas cavilhas, unindo as duas laterais, chamadas cambotas, à do centro, que possui então quatro furos para a colocação das cavilhas. 

Estas medem 3x6 cm, e são bem ajustadas e batidas com uma marreta. A roda deve ter um metro e vinte centímetros de diâmetro. 

Com um compasso marca-se o rodigio e o centro. Com serra curva faz a circunferência e com a ferramenta chamada enchó desbasta-se a madeira para deixar, a partir dos dez centímetros da área central, uma espessura de cinco centímetros na periferia, correspondente à largura da ferragem. 

Os dois furos da roda, que medem 20 centímetros, na forma de um óculos, servem de degrau para subir até a mesa do carro e ajeitar a carga. 

Os furos das rodas não tem nada a ver com os cantos das mesmas. 

O canto só acontece com o movimento lento e o peso da carga. 

A pedido de meu pai fiz um eixo de carro - o outro foi gasto pelo uso - com uma tora de jacarandá, com dois metros de comprimento, lavrada em forma oitavada, acompanhando a peça anterior, com duas cavidades para girar o eixo da mesa.  

O encaixe da roda tem que ser bem ajustado e estar bem no esquadro para que as rodas girem alinhadas. 

Para comprovar com exatidão é só verificar o rastro que o carro deixa no chão. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Chafariz (Reminiscências de Indaiatuba)

Há muitos anos, Indaiatuba tinha a Rua da Palha, atualmente Rua Pedro Gonçalves

Esse nome vem do tempo em que a colônia da Fazenda Pau Preto ficava em continuação do prédio da sede. As casas eram cobertas com sapé e havia muita palha espalhada. Aí começava a rua da pobreza....

Tais casas eram, na maioria, feitas de barrotes, e de pequena altura. Na esquina com a atual Bernardino de Campos ficava o caminho do chafariz, e lá embaixo estava a célebre biquinha de água potável.

Era esta a rua das lavadeiras e nela morava a melhor delas: Nhá Zabé Alemoa

No fim da rua, que era bem conservada pela Prefeitura, tinha o chafariz; era uma nascente em um poço bem fechado, do qual saía um cano que jorrava água na frente de uma parede, onde tinha uma escada de cada lado. 

A bica era alta do piso, o qual era feito de lajes e pedras assentadas, ficando assim um plano seco e limpo. Para aí vinham os carrinhos com latas para serem cheias de água. 

Embaixo da bica havia uma grelha de ferro, pela qual saía a água que corria por baixo das lajes, indo até um ribeirão de águas profundas e limpas, no qual as crianças nadavam e pescavam.


Crédito da imagem: Reminiscências de Indaiatuba
Antônio Zoppi


Ao lado do chafariz, a Prefeitura tinha construído um telheiro de esteios de madeira sextavada, coberto com telhado de quatro quedas d´água e tendo gradinhas em redor, cujo piso era de lajes, tendo canos por onde corria a água captada do brejo e com altura necessária para as lavadeiras colocarem as suas tinas e bacias de lavar roupas. 

Ali mesmo tinham seus varais de arame farpado, dos quais pendiam grandes quantidades de roupa pra secar.

Nessa rua, o movimento era intenso. 

Pela manhã, até às 10 horas, todos precisavam ir buscar água no chafariz, serviço feito pelas crianças. 

Havia carrinhos de uma, duas e até três latas, conforme o tamanho do rapaz que carregava. 

Era nisso que se ganhava um tostão por lata de água baldeada. 

Aquele que levava água para o Grupo Escolar ganhava mais que os outros.

Entre os rapazolas, havia os briguentos, que furavam a fila à frente da bica, tendo início então as brigas, onde quebravam carrinhos, amassavam latas e faziam os menores chorarem, quando então vinham as lavadeiras para separar os contendores. 

Fonte: "Reminiscências de Indaiatuba" de Antônio Zoppi.

Leia também: http://historiadeindaiatuba.blogspot.com.br/2015/04/o-rio-do-bicudo-buerao.html

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Família Ambiel: para eles, pedalar é preciso

 Há quase cinco décadas a BICICLETARIA AMBIEL faz da bicicleta um veículo que transpõe a passagem dos anos


                                                                                      Publicação original: REVISTA IMEDIATA

Coluna: Famílias Tradicionais
Texto de Beatriz Silva


(...) Os imigrantes suiços vieram para o Brasil, entre outros motivos, por causa de um período econômico de crise advindo de conflitos causados pelas "guerras nopoleônicas".
 A partir daí, o Brasil tornou-se refúgio poro os imigrantes suíços, que passaram o ocupar os fazendas e empregar suas forças no agricultura, principalmente depois do abolição dos escravos. E foi atraído por melhores condições de vida, em território brasileiro, que o família Ambiel atravessou o oceano há mais de 100 anos.

Em 1888, os novos colonos suíços instalaram-se também em lndaiatuba e fundaram uma colônia. "O meu bisavô e  integrantes dos famílias Amstalden, Bannwart e Wolf decidiram comprar o sítio Capivori-Mirim e parte do sítio Serra D'Água, ao longo do Rio Capivari Mirim e fundaram o colônia Helvetia, que há anos mantém viva os tradições suíças", revelou o comerciante Luiz Antônio Ambiel.

A colônia dos imigrantes suíços aos poucos foi tornando-se o berço paro os novos membros do família Ambiel, entre eles Áureo Ambiel, filho de Antônio Ambiel e Tereza Amstalden. "Meu pai nasceu e cresceu no sítio, em Helvetia. Mas, em 1951, ele teve de sair de caso paro servir ao Exército e em um de seus retornos ele participou da prova de ciclismo do cidade", conta o comerciante.

Em 1950, ocorreu o primeiro edição do Prova Ciclística 1°de Maio - que continuou sendo realizada anualmente . Na segunda edição, Aureo Ambiel foi um dos participantes do evento. "Meu pai venceu a prova de passeio do categoria amador. No entanto, essa foi o único competição em que ele disputou", diz.

Mais tarde, Ambiel deixou o serviço militar, começou o trabalhar numa fábrica e, em 1957, casou-se com Helena Stefanelli, com quem teve quatro filhos: Luiz, Fátima, Áureo e Alberto. 

Anos depois, o patriarca do família deixou o emprego para trabalhar no comércio, ao lodo de sua esposa. "Quando meus pois casaram-se minha mãe possuía uma loja que vendia roupas, materiais para costura e peças de bicicleta. Lembro que vendiam também no feira e nos sítios mais distantes", recorda.

Até que, em 1964, o casal decidiu fechar o loja de roupas e abrir o Bicicletaria Ambiel

"As vendas de peças de bicicleta começaram o aumentar e meu pai resolveu montar a bicicletaria . Havia outros bicicletários no cidade, porém todos fecharam e desde aquela época apenas o nosso continuou aberto".

Aos treze anos de idade, o primogênito do família começou o ajudar seu pai no comércio. "Eu estudava e nos horas vagas... brincava de soltar maranhão (pipa), andava de bicicleta e jogava bola no Praça São Benedito, além de trabalhar na bicicletaria", conta.

O comerciante  revelou ainda que no sua  infância gostava  muito  de passear de bicicleta pelos ruas de terra do centro do cidade. ''A bicicleta me proporcionava uma sensação de liberdade e mesmo depois de ter estudado, me formado e trabalhado em algumas empresas eu não consegui deixar de lodo o bicicletário".

Em 1985, Ambiel passou o cuidar do loja ao lodo de seu irmão. Dois anos depois, casou-se com Elisabeth, com quem tem dois filhos: Mateus e Ana Helena. E, em 1990, viu os manutenções e vendas de bicicleta em seu comércio cresceram ainda mais. "No década de 90 surgiram os mountain bikes e todo mundo queria comprar uma bicicleta nova. Isso sem contar o grande quantidade de consertos em bicicletas e mobiletes", lembra o comerciante, que acrescentou: "antes o bicicleta era um meio de transporte muito utilizado, entretanto, hoje, sua função é mais paro lazer, esportes ou para percorrer pequenos distâncias".

Mais tarde, Ambiel tornou-se o único responsável pelo administradão do bicicletário. "Meu irmão deixou de trabalhar no loja, mas eu continuei com meu pai sempre ao meu lado. Mesmo aposentado ele ainda permanece aqui", diz.


O comerciante que  mais de 47 anos tem sua loja instalada no mesmo local observa a transformação ocorrida no município e no vida dos moradores nos últimos décadas. ''A cidade cresceu e os distâncias aumentaram, contribuindo paro uma diminuição no uso do bicicleta. Os meios de transporte coletivos e a compra de veículos como carros e motos também o tornou dispensável. Ainda quem depende dela, porém não é mais como no passado. Apesar de tudo, acredito que ainda há espaço no mercado para esse tipo de comércio. Entretanto, é uma área que requer muito investimento", pondera.



 Por fim, como diria Albert Einstein: "Viver é como andor de bicicleta: E preciso estar em constante movimento paro manter o equilíbrio".



E para Ambiel movimentar-se significa transpor o ação do tempo e manter o legado deixado por seus antepassados entre os novos gerações. "Meu desejo é ver o minha família sempre unida, feliz e lutando paro preservar os nossos tradições", finalizou.





As imagens abaixo são do acervo pessoal da Família de Áureo Ambiel

(cedidas para Revista Imediata)

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Pouso de Indayatuba - texto de 1863 [SIC!]


Este é o texto mais antigo - escrito e publicado - em que Indayatuba aparece em uma história contada por um viajante que passou por aqui.

Pelo menos o que eu pesquisei e conheço até agora; então a afirmação acima está sujeita à alteração se novas fontes forem achadas.

Texto publicado no periódico literário "O FUTURO" de 1863.






















(este post continua em segunda parte)
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