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Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Disciplina escolar: um desafio para lá de secular

Pedagogia é uma palavra de origem grega cujo significado é paidós (criança) e agogé (condução), ou seja: a arte de conduzir a criança.

Conduzir para “onde” foi uma questão presente em todas as sociedades: para a técnica de caçar e pescar, para a guerra, para Deus, para a razão... são alguns exemplos. Variadas foram e ainda são as respostas que indicam como trilhar esse caminho, mas mesmo nessa pluralidade, há um fator repetitivo: conduzir para que obtenham e continuem a perpetuar determinados conceitos ou definições situados em um tempo-espaço específico.

Tão imprescindível é essa prática – afinal, ela permite a sobrevivência ou ruptura do status quo - que aos poucos, a arte recebeu status de ciência. E ao condutor – também chamado de mestre, preceptor, guia, professor - cabe a estimulante tarefa de definir meios e métodos não só para atingir o fim, mas principalmente para trilhar o meio, que é a tarefa mais complexa.

Essa complexidade vem, de forma resumida, do fato de a “condução” não estar apenas relacionada à esferas filosóficas ou científicas – ou seja - ao conteúdo em si, mas sim ao fato de estar fundamentalmente relacionada com a esfera comportamental – ou seja: com a disciplina. É aqui que o bicho pega e quase sempre onde está o maior desafio dos educadores – como são chamados atualmente os condutores: como manter os rebentos disciplinados, concentrados e interessados nas ciências e nas filosofias?

Um desafio e tanto.

Fundamental e inicialmente, atualmente os condutores precisam dominar o assunto que lecionam, mas isso não basta. Precisam ser comunicadores, atores, médicos, enfermeiros, sociólogos, psicólogos, psiquiatras, palhaços, sociólogos, e as vezes até policiais apartadores de briga - tudo isso para competir com tudo o que o bendito Steve Jobs inventou e socializou magnificamente, que Deus o tenha.

Os antigos de qualquer época sempre nos atormentam com aquela história de que “na minha época não era assim”, acusando a modernidade da falta de limites dos pirralhos. Muitos transferem para a família a incompetência do educador em manter a disciplina da classe. _ “A classe não aprende por que é indisciplinada.”

Não vou cair na armadilha que meu próprio texto está conduzindo em discutir quem deve manter a disciplina na sala de aula, mas quero contar um causo de nossa Indaiatuba antiga, que vem aliviar as noras que recebem críticas das sogras, para que não carreguem a culpa da “modernidade”; pois – sim! – nossas sogras, avós e bisavós faziam bagunça também. Vejamos.

Conta Manuel de Arruda Camargo em seu discurso proferido em nossa terra dos indaiás em 1930 o esforço e as peripécias do professor Randolfo Moreira Fernandes em disciplinar seus alunos no século XIX. Randolfo é o patrono do prédio que atualmente é usado pela Secretaria da Cultura, no centro, e que por muitos anos foi a escola pública homônima.

Narra Camargo que o professor Randolfo possuía grande “intuição pedagógica”, tendo, justamente por isso, prestado relevantes serviços a população escolar da época. Essa tal habilidade fez com que o mestre – nos dias idos do ano de 1877 - estabelecesse um tribunal de júri encarregado de processar as “traquinices infantis” e as “irregularidades escolares”. Conforme o veredito, os pequenos saiam do julgamento absolvidos ou condenados.

Para os condenados, as penas eram rígidas: variavam desde “palmatoadas” – entre duas e uma dúzia, uso de carapuça, genuflexão sobre a mesa ou chão, postura em pé com os braços distendidos no canto da sala - as vezes sustentando objetos até exposição pública na janela da sala de aula, onde o meliante estudantil tinha que ficar exposto sob humilhantes chufas atiradas pelos moleques transeuntes.

Ô dó.

Mas havia a contrapartida: os chamados “perdões”. Eram pequenos papéis retangulares com um desenho de patinho e a assinatura do mestre Randolfo. Cada lição bem feita ou ainda um “acto de benemerência” praticado na escola, eram condecorados com tantos “perdões”. Acumulados, funcionavam como um habeas-corpus. Caso o pequeno não fizesse a lição, ou fizesse mal feita, ou praticasse traquinagens, ia para o júri receber a condenação e executar a negociação de sua absolvição com a entrega de seus “perdões”.

A negociata não se restringia aos limites do tribunal: os alunos vendiam ou trocavam os seus perdões por doces, inclusive aqueles falsificados.

As crianças revezavam no papel de juiz, promotor, advogado, testemunhas. Muitas vezes o expediente terminada com uma ameaça do condenado: _ “Na rua a gente se acerta.”

Conta também Camargo que certa feita um substituto agiu de forma diferente do professor Randolfo, com o objetivo de sensibilizar os alunos a conterem os atos de indisciplina e desinteresse. Este outro mestre inusitadamente bancava o próprio Cristo para tocar a consciência dos rapazes: ele se punha no meio da sala e brandia contra as próprias costas uma forte vara de pecegueiro cada vez que os alunos tinham que ser castigados por algum ato inválido. Resultado: o mestre “quase entisicou com seu systema penal, que abandonou, antes que o abandonasse a própria vida”.

Tem assim, o pedagogo – como objeto de estudo – o intuito de refletir acerca dos objetivos do fenômeno educativo e fazer também a análise objetiva das condições existenciais e funcionais desse mesmo fenômeno.

Para isso alguns já foram gestores de júris infantis e até um Cristo!

Onde está a fórmula mágica?


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Eliana Belo Silva
Originalmente publicado na revista Imediata, de novembro de 2011



Vida de mestre é difícil - O Dia do Professor é feriado no Brasil desde os anos 1960. De lá para cá, o país mudou muito, mas os profissionais continuam mal remunerados, com uma carga horária de trabalho desgastante e desvalorizados socialmente: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/quem-quer-ser-professor

Randolfo Moreira Fernandes

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O tempo abstrato, nosso patrimônio e o crescimento urbano

No período pré-histórico e mesmo na Antiguidade a maioria das sociedades tinha a percepção do passar do tempo de uma maneira muito concreta: a presença ou não da luz do Sol. E assim, dessa forma muito objetiva de percepção, a vida era organizada: de dia, quando o Sol iluminava os campos e as poucas cidades - que hoje são quase todas ruínas (e olhe lá!) -, as pessoas trabalhavam; e assim que a luz ia embora, as pessoas iam descansar. Dessa forma organizavam suas atividades diárias: esforço com a presença do Sol, descanso com a presença da Lua.

Na Idade Média isso mudou.

Os grandes mosteiros, as já opulentas catedrais e as pequenas capelinhas da Igreja Católica, única religião oficial por longos e longos anos, instituíram a primeira grande forma de contar o tempo de maneira abstrata: o sino. Inicialmente o seu repicar tirava os monges das camas antes do amanhecer, para que iniciassem as ladainhas ainda na escuridão. Esse costume interrompeu a marcação do tempo da maneira concreta, pois a partir dele, o trabalho, ou melhor, as rezas, tinham início antes da presença da Luz.

Aos poucos os pontos de controle concretos do dia foram aumentando e os sinos repicavam marcando o momento de outras tarefas muito agradáveis: refeição matinal, almoço, jantar. Mas também o fim da refeição matinal, o fim do almoço e o fim do jantar, o que significava o retorno para alguma outra atividade: rezas para uns, trabalho pesado nos campos para outros.

Não demorou para que os feudos e até pequenas vilas dos arredores começassem a gerir suas tarefas também com o sino, que de início tinha o objetivo de controlar apenas as tarefas dos religiosos.

Logo todas as pessoas já tinham que fazer isso ou aquilo conforme o tempo abstrato imposto pelo sino: começar “isso” na primeira badalada do dia e terminar até “tantas” badaladas. E isso mudou toda a relação do homem com o tempo, do homem com o trabalho, do homem com seu próprio corpo, que muitas vezes não estava devidamente condicionado para levantar antes do momento concreto - presença da luz - e nem tão pouco descansar muito depois da chegada da escuridão.

Embora os antigos egípcios já tivessem compreendido a sistemática de divisão do dia em 24 horas, foi efetivamente com o advento da Revolução Industrial e das novas invenções tecnológicas do século XVIII que ele – o relógio – começou a ser aplicado da forma como conhecemos hoje: tiranicamente controlador. Todas as tarefas diárias, para desespero dos que possuem o corpo com metabolismo naturalmente concreto e êxtase para os excessivamente sistemáticos - passaram a ser cobradas, supervisionadas e todos os outros verbos de controle - com base em períodos de 60 minutos.

Em nossa Indaiatuba de antigamente tínhamos o sino da Candelária marcando o tempo dos cidadãos. Não só de hora em hora, controlando abstratamente os afazeres. Mas também alertando em casos de sinistro como incêndios. Ou alegrando em procissões, ou chorando melancolicamente ao informar enterros. Mas o “relógio” da Matriz já não toca mais assim.

Tínhamos também o apito da fábricas que fizeram o progresso de muitas famílias até por duas ou mais gerações: o apito do Vilanova e da Têxtil Judith. Eram eles que marcavam o tempo abstrato não só de seus operários, do ligar e desligar as máquinas, mas de toda uma cidade: a hora em que o marido sairia do “serviço” e o sinal de quanto tempo demoraria para o bife ter que ficar pronto. Sinalizava que a 24 de maio ficaria lotada de bicicletas com diferentes uniformes, principalmente da Yanmar, da Metalúrgia Ilma, da Puriar. Apontava o tempo que crianças iriam demorar para sair ou entrar na Escola. Enfim, todos os que moravam no Centro da nossa querida Indaiatuba e nos arredores tinham seu tempo marcado por essas sirenes para fazer alguma atividade.

Agora, em maio de 2011, a Têxtil Judith foi embora do Centro, e mais um patrimônio de nossa História viverá apenas em nossas lembranças. Sua sirene nunca mais tocará, não daquela forma. Boa sorte aos empreendedores da Judith nesta nova fase!

E boa sorte para nossa Indaiatuba! Que o tempo abstrato que agora é de pura correria não permita que seus filhos do ventre ou adotados esqueçam de suas Memórias. Que a gente apreenda que relógio não é sinônimo de tempo, assim como crescimento não é de desenvolvimento.

Uóóóóóóóóóóóó.

Hora de parar de escrever que a lauda já está maior do que deve.



 Têxtil Judith (com sua caixa d´água no centro) perto da Caixa D´Água da Rua 24 de Maio (canto esquerdo inferior da imagem) - Década de 1940


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Esse texto foi parcialmente publicado na Revista Kaaba de nov de 2011

Fiz esse texto com pequena parte do muito que aprendi com Edgar De Decca, meu professor na UNICAMP; bons tempos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As 7 Maravilhas de Indaiatuba

O Jornal Exemplo® colocou no ar esta semana uma enquete para escolher as Sete Maravilhas de Indaiatuba, com inspiração na eleição da fundação suíça New 7 Wonders que definirá em 2012 as Sete Maravilhas da Natureza (Cataratas do Iguaçu e Amazônia brigam pelo título).

Em Indaiatuba, são 21 opções. Acesse este link e eleja aquela que, para você, melhor representa a cidade, seja por seu valor histórico, econômico ou cultural.

Os sete locais mais votados serão eleitos as Sete Maravilhas da cidade e transformados em cartões-postais em uma matéria especial publicada no aniversário de 181 anos de Indaiatuba, em 9 de dezembro.

ATENÇÃO: A votação se encerra às 12h de sexta-feira, dia 2.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é o novo superintendente da Fundação Pró-Memória

A Fundação Pró-Memória, vinculada à Prefeitura de Indaiatuba, já conta com um novo superintendente.

O historiador Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, de 35 anos, tomou posse na última quarta-feira (9) durante uma reunião do conselho administrativo da entidade.

Jesus foi selecionado entre 72 candidatos, avaliados pela ‘Comissão de Seleção’, composta pelos seguintes membros do conselho administrativo: Dr. José Luiz Sigrist (Presidente), Deize Clotildes Barnabé de Morais (Secretária), Martha Andrade Barbosa Marinho, Lauro Ratti e Antonio da Cunha Penna.

Natural de Sorocaba, Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus graduou-se em História pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Assis, onde também concluiu seu mestrado e doutorado. É autor de cinco livros, o mais recente, “Anti-semitismo e nacionalismo, negacionismo e memória”, publicado pela Editora Unesp.

Atuou como professor universitário na faculdade onde se formou, na Fafip (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Piraju) e, recentemente, na Faculdade Eduvale, em Avaré, onde era também um dos coordenadores da unidade. Ele afirma que sempre quis trabalhar em arquivos e museus. “A Fundação Pró-Memória é um importante órgão que objetiva preservar a identidade de Indaiatuba. Essa preservação histórica e cultural é o diferencial para a e formação de um povo e pretendo contribuir da melhor forma possível com a entidade”, disse.

Embora Jesus não tenha experiência em gestão de Arquivos e Museus, espero que tenha sucesso em uma demanda que, para mim, como usuária do Arquivo Público e como Conselheira da Fundação, é prioridade: o acesso e a divulgação dos documentos do Arquivo Público Municipal Nilson Cardoso de Carvalho. Discutir sobre o acesso virtual ao Acervo me parece já ser coisa desnecessária e ultrapassada, a questão já é a viabilização técnica e operacional da ação, sem personalismos.

Outro foco que precisa ser dinamizado é o Conselho de Preservação. O seu antecessor, o ex-superintendente Marcelo Alves Cerdan, afastou-se do cargo na mesma época da crise provocada pela derrubada de um dos patrimônios artísticos de Indaiatuba, que estava na rotatória da Avenida Conceição, um obelisco idealizado e projetado pelo artista plástico (in memorian) José Paulo Ifanger. Nosso patrimônio precisa de uma atenção constante, não só os patrimônios tombados, como os não-tombados, como é o caso desse obelisco. O Conselho de Preservação precisa ganhar força legal e legítima novamente, meios que foram sendo usurpados sucessivamente, principalmente por interesses imobiliários, desinteresse político e afins.

Os patrimônios tombados precisam de mais visibilidade, precisam de divulgação e cuidados básicos, como o próprio Casarão, que é sede da Fundação Pró-Memória: esse local, querido por todos os que gostam de nossa história e memória, está com graves problemas estruturais, cada vez que chove, os funcionários precisam remover móveis e escrivaninhas para que os equipamentos não sejam danificados, de tanto que molha dentro. O local onde fica o acervo do Museu também precisa ser reformado e ampliado.

A boa perspectiva para a nova gestão é que há promessa que a nova sede da Fundação Pró-Memória será construída perto do antigo matadouro. Aguardemos.

O zelo pela nossa memória, história e patrimônio é uma necessidade presente, urgente e necessária; não pode ser um projeto para o futuro, que enquanto não chega, tudo isso se esvai no descaso ou na falta de técnica ou meios legais de viabilização.

Boa sorte e muito trabalho ao novo superintendente!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

28% da População de Indaiatuba é Negra

No último censo, o brasileiro que respondia à pergunta "_ qual é a sua cor?" - tinha que escolher uma das respostas já pré-disponibilizadas na pesquisa, elaboradas conforme o Estatuto da Igualdade Racial.

Esse direcionamento serviu para levantar mais precisamente quantos "pardos" e "pretos" temos em nosso país. Em nossa Indaiatuba, o grupo - definido no citado Estatuto como "população negra", que é o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga - soma 59.309 pessoas.



Visualização gráfica da população de Indaiatuba conforme definições do Estatuto da Igualdade Racial

População total: 201 619
Brancos: 139 322
Pardos: 50 432
Negros: 8 877
Amarelos: 2 816
Índios: 170
Não-declarados: 2


REPRESENTATIVIDADE
Cerca de 28% da população negra é um grande número, embora esteja abaixo do índice dos municípios do Brasil, que aponta que pretos e pardos são a maioria em 56,8% dos municípios brasileiros.

Esse percentual chama a atenção para várias questões. Embora com fama de ser a maior democracia racial do mundo, ainda temos em nosso país muito a ser discutido sobre racismo, discriminação, preconceito, segregação; e não só em nosso país, mas em nossa Indaiatuba, inclusive no que tange à representatividade política.

OUTROS CENSOS, OUTRAS "CORES"
Em outros censos realizados, quando a pergunta era aberta, notou-se um surpreendente resultado (será que tão surpreendente?): muitos brasileiros escamoteavam penosamente não só sua identidade, mas também sua consciência étnica.

No censo de 1980, por exemplo, ao se auto-analisarem para responder a essa pergunta "aberta", somaram-se 136 cores diferentes, todas elas declaradas pelos "não-brancos" brasileiros quando foram inqueridos pelos pesquisadores do IBGE sobre sua cor. Veja algumas delas abaixo:

Acastanhada
Agalegada
Alva
Alva escura
Alvarenta
Alva rosada
Alvinha
Amarela
Amarelada
Amarela queimada
Amarelosa
Amorenada
Avermelhada
Azul
Azul marinho
Baiano
Bem branca
Bem clara
Bem morena
Branca
Branca avermelhada
Branca melada
Branca morena
Branca pálida
Branca queimada
Branca sardenta
Branca suja
Btanquiça
Branquinha
Loura
Melada
Mestiça
Miscigenação
Mista
Morena
Morena bem chegada
Morena bronzeada
Morena canelada
Morena castanha
Morena clara
Morena cor de canela
Morenada
Morena escura
Morena fechada
Morenão
Morena prata
Morena roxa
Morena ruiva
Morena trigueira
Moreninha
Mulata
Mulatinha
Negra
Negrota
Pálida
Paraíba
Parda
Parda clara
Polaca
Pouco clara
Pouco morena
Preta
Pretinha
Preto
Puxa para branca
Quase negra
Queimada
Queimada de praia
Roxa
Ruiva
Russo
Sapecada
Sarará
Saraúba
Tostada
Trigo
Trigueira
Turva
Verde
Vermelha.

Foram 136 cores demonstrando que muitos brasileiros (repito, todos não-brancos) fugiam de sua verdade étnica, procurando situar-se o mais próximo possível do modelo tido como "superior".

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CONSCIENTIZAÇÃO

20 de novembro - Domingo
1ª Marcha da Consciência Negra de Indaiatuba
*** CONCENTRAÇÃO - 09:00h ***
Rua João da Fonseca Bicudo
AO LADO DO CASARÃO PAU PRETO

Colaborou: Reginho Toledo

domingo, 6 de novembro de 2011

Bairro Friburgo em destaque no folheto paraTODOS de Campinas

O Bairro Friburgo se situa na região sudoeste do município de Campinas,
a cerca de 20km do centro da cidade.

O ‘Castelo da Paz’ dos alemães em Campinas

Quando se fala em imigração alemã, aposto que você se lembra daquelas típicas cidades situadas no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina, não é mesmo?

Acontece que aqui em nossa cidade também temos uma comunidade que guarda um pouquinho dessa história: o Bairro Friburgo, encravado em área rural do município de Campinas.

E não é que essa história se junta a várias outras de que já tratamos em outros folhetos? Isso porque, quando falávamos sobre os barões do café, com seus palacetes gerados pela riqueza das fazendas de café, você parou para pensar quem é que trabalhava nessas lavouras?

Depois do fim da escravatura, em 1888, por incentivo do governo, juntaram-se aos trabalhadores brasileiros uma infinidade de imigrantes que, em São Paulo, provinham mais comumente da Itália, mas também de outros países.

Mas mesmo antes disso, já havia um fluxo desses trabalhadores para o Brasil. Tanto que os primeiros alemães que vieram para o território ainda hoje paulista chegaram por aqui em 1846, com viagem patrocinada pelos fazendeiros já interessados em substituir a mão-de-obra escrava por trabalhadores europeus.

Foi nesse contexto que o colono alemão Friedrich Thamerus, depois de pagar suas despesas da viagem com o trabalho na Fazenda Sete Quedas, rumou para a área onde se estabeleceria com sua família.

O local, situado no centro da divisa entre as cidades de Campinas, Indaiatuba e Monte Mor, receberia nos anos seguintes outras famílias de alemães e suíços e receberia o nome de Friedburg, que significa ‘Castelo da Paz’.

Mais tarde, já no século XX, a denominação oficial foi mudada para Friburgo, facilitando sua compreensão.

Primeiro veio a escola, depois o cemitério e a igreja

Devido à distância em relação à cidade, os moradores de Friburgo logo perceberem que não adiantaria esperar a ação das autoridades locais e decidiram eles mesmos assumir a responsabilidade pela educação das crianças.

Assim, em 1879 já estariam construídas a sede da Associação Escolar e a casa do professor, que seria trazido da Alemanha.

Depois disso, a comunidade se empenharia em construir seu próprio cemitério, já que era bastante difícil e caro o transporte de seus mortos para o cemitério protestante de Campinas. O cemitério de Friburgo foi inaugurado em 1886.

Por fim, já no final dos anos 1920, os sitiantes de Friburgo decidiram erguer sua capela luterana, inaugurada em 1934.

Capela luterana? O que é isso?


A religião luterana foi fundada logo depois das Reformas dos Protestantes. É fruto do conjunto das ideias e doutrinas defendidas no século XVI pelo padre e teólogo alemão Martinho Lutero que, discordando de várias práticas da igreja católica, propôs uma nova corrente religiosa cristã.

Isso também é Patrimônio!

Com o passar das décadas e a venda de muitas das propriedades da área, a população germânica de Friburgo foi se reduzindo. Ainda assim, algumas das famílias guardaram o hábito de visitar a comunidade e cultivar antigas tradições.

Assistem aos cultos luteranos, realizados quinzenalmente, homenageiam seus mortos no ‘Cemitério dos Alemães’ e, ainda, participam de bailes, almoços e grupos de danças.

Com a iniciativa do grupo de danças típicas alemãs, aliás, foi que a comunidade de Friburgo conseguiu despertar em suas novas gerações o interesse por aspectos da cultura, modo de vida, língua e tradições germânicas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Moderno & Antigo, o novo com o velho

Não é necessário demolir o antigo para abrigar o moderno. O velho e o novo podem conviver muito bem, de maneira charmosa e funcional. É o que mostra o projeto da Concessionária Nissan, que está se instalando no espaço onde era o Tom da Terra e que já havia sido uma antiga tecelagem de nossa cidade.

Foi com prazer que eu li a reportagem que a empresa contratou um arquiteto - até premiado - para fazer essa integração e fez questão de propagar que irá não só preservar, mas dar destaque também para a seringueira  -linda, linda - do quintal. A matéria está no jornal da Tribuna de Indaiá de hoje e também no site da Quanta.

Custa respeitar o antigo? Com essa ação a empresa ganhará muitos simpatizantes, o que pode até influenciar, inclusive, em futuros negócios. Cada vez mais há consumidores que escolhem o produto também pela gestão ambiental e de responsabilidade social das empresas produtoras.
Veja o conteúdo abaixo:

Nova loja será inaugurada no prédio da antiga fábrica têxtil da cidade, que terá toda a estrutura histórica preservada. Além da concessionária, o espaço será aberto para eventos culturais.

Prometendo movimentar o setor automotivo da região, o Grupo Caiuás prepara-se para inaugurar a 1ª concessionária Nissan de Indaiatuba até o final de novembro deste ano.

A Nissan Caiuás Indaiatuba ocupará o prédio da antiga fábrica têxtil da cidade, onde recentemente funcionava o restaurante “Tom da Terra”, na Avenida Presidente Vargas, 1.100, ao lado da Honda Caiuás.

Em total sintonia com o patrimônio histórico e a cultura da região, a estrutura do prédio será totalmente preservada. “Uma equipe de profissionais trabalha para a preservação e a restauração do patrimônio histórico. Os tijolos e janelas originais da época serão mantidos. Todas as adaptações serão feitas sem modificar a estrutura do prédio, uma construção que existe há mais de 50 anos na cidade”, explica o arquiteto urbanista responsável pela obra, Nilton Soranz, premiado e reconhecido em toda a região.

Um charmoso gazebo, localizado no fundo do prédio, e a seringueira centenária, igualmente serão preservados. Construído com tijolo à vista, o gazebo destaca a linha colonial da construção histórica. Verdadeira relíquia, a seringueira, com seus frondosos galhos e refrescante sombra que oferece, servirá de abrigo para a construção de um espaço onde, futuramente, serão promovidos pequenos concertos e exposições. A obra também está sendo acompanhada pelo engenheiro civil José Ignacio Barreto.

Desta forma, a concessionária ganhará um design arrojado, que mescla o colonial com o contemporâneo, além da mais alta tecnologia. “Preservaremos toda a arquitetura do prédio e sua grande importância para a história da cidade”, frisa Marcio José Silva, gerente comercial da Nissan Caiuás.

A nova loja é a segunda concessionária Nissan do Grupo Caiuás, eleito para representar a marca japonesa em importantes cidades do interior de São Paulo. Segundo Márcio, para celebrar esse marco para a empresa, desde o início do mês de outubro, o Grupo Caiuás expõe os principais veículos Nissan no jardim onde será a revenda, dentre eles o novo March, o Livina, Sentra Sedan, a Picape Frontier e o Tiida nas versões Hatch e Sedan.

Os carros permanecerão expostos no local todas as quintas, sextas e sábados, das 8 às 18 horas.

Serviço:
Nissan Caiuás Indaiatuba – previsão de inauguração até final de novembro de 2011
Avenida Presidente Vargas, 1.100, ao lado da Honda Caiuás
Site: www.grupocaiuas.com.br

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Este blog é independente e não tem patrocinadores, todas as empresas aqui citadas, o são para o fim a que ele se destina: divulgar informações sobre a História, Patrimônio e Memória de Indaiatuba.

domingo, 16 de outubro de 2011

Tombamento de Estações Ferroviárias



 A reportagem acima saiu hoje, domingo, 16 de outubro na Folha de São Paulo.

Em Indaiatuba, a Estação Ferroviária do centro da cidade está sendo preservada pela FIEC e abriga o Museu da Estação.

O mesmo não acontece com as outras estações, que infelizmente estão abandonadas. A de Itaici, que inclusive foi um importante entroncamento na época áurea das ferrovias, foi privatizada para sem-teto pela própria Prefeitura de Indaiatuba.

No site da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba foram divulgados (finalmente) três estudos sobre a importância da preservação de nossas Estações. Veja aqui, aqui e aqui.

Agora, com as constantes notícias que a região da Estação de Pimenta vai ser urbanizada e que ali haverá um importante porto seco,  é necessário que fiquemos de olho nas ações do Poder Público, para que aquela Estação não seja destruída, nem tão pouco apenas reformada: na verdade ela precisa ser RESTAURADA. Assim, o prometido moderno centro de logística intermodal será reconhecido não só pela inovação, mas pela competência de ter integrado o NOVO com o VELHO, respeitando nosso patrimônio ferroviário.

Tomara!


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Guaianazes

capítulo do livro "Nos Tempos do Bar Rex"
de Antonio da Cunha Penna


Uma das formações do Guaianazes Clube, a primeira agremiação indaiatubana de basquete e vôlei.
Em pé: (?), Joab José Pucinelli, Luiz Augusto A. Mello, Clóvis Civolani e Romeu Zerbini.
Agachados: Alberto Ernesto G. Pucci, Synésio Martini e José de Campos.


O prédio que, entre outras destinações, fora também sede do E. C. Primavera abrigaria (como Bar Rex) a sede do Guaianazes Clube que, no período de sua fundação (1948), usava o endereço do Bar e Hotel Candelária. O novo bar com freguesia constituída quase que exclusivamente de jovens, afinava-se mais com o recém-fundado clube.

Para contar a história dessa interessante agremiação, cito palavras do médico e cronista indaiatubano Edgard Steffen, um dos fundadores do Guaianazes:

(...) Indaiatuba era pequena. Minúscula. Nenhuma diversão, além do futebol e das festas familiares. Raramente um baile com o “Bando da Lua” de Hermenegildo Pinto (Gildo) no Salão do Mome, ali na Candelária. Com a construção do salão do Indaiá Clube pelo Luiz D’Ercoli, atrás do Bar de seu irmão Olívio, a situação melhorou um pouco. Passamos a ter um baile, mensal, entrada paga, sempre animado pelo conjunto do Gildo Pinto. Raramente, alguma orquestra de outra cidade. Nas férias, algumas domingueiras com rádio-vitrola.


Nosso grupo de adolescentes, como todo bando, reunia-se num dos bares em torno de garrafa de refrigerantes do tipo Tubaína e Maçãzinha, bebidas ainda não sufocadas pelas importadas “Colas”. Cerveja, “casco verde”, somente após os dezoito de idade. Éramos de profissões variadas. Barbeiro (Clovis Civolani), lojista (Chaim Miguel Ferreira), marceneiro (Olívio “Russo” Silvério), operário (José Baroni), escriturário (Geraldo Baptista), bancário (Antônio Reginaldo Geiss), comerciante (Lino Martinuzzo). Eu, o único estudante. Liguto (Luis Augusto do Amaral Mello), à época, não estudava nem trabalhava. Nas férias, Odilon Ferreira (trabalhava e estudava) e José Emygdio “Zito” Zoppi (universitário de Engenharia em São Paulo) e outros jovens, parentes de famílias indaiatubanas, juntavam-se ao grupo.

Além da idade, talvez andássemos juntos por falta de vocação futebolística. O Geiss, mesmo sem grandes habilidades futebolísticas, participava também do grupo dos craques do Primavera, como o alfaiate Lula (João Rubens Guidolin), o bancário José Maria “Nego” Delboni, o office boy da Caixa Econômica Estadual Laércio Milani. Frequentavam os mesmos bailes que a gente, mas pertenciam à elite futebolística, graças ao E.C. Primavera, celeiro de craques. (...)

Quando começaram a falar num clube de voleibol e bola-ao-cesto, entramos com corações e mentes no projeto. Não sei bem quem começou. Lembro-me de minha irmã Lucia, diploma universitário em Educação Física, tentando formar um time feminino de vôlei, numa improvisada quadra no próprio campo do Primavera. Outro, foi o Zito Zoppi que, nas férias incentivava o pessoal a fundar um clube. Certamente o alfaiate João Nunes Beccari, meu irmão Oscar Steffen e Mario Candello estavam envolvidos no projeto. “Seu” Nunes e Oscar haviam participado do Bandeirantes, time de basquete que existiu durante certo tempo em nossa cidade. A cor azul e branca escolhida para uniforme do Guaianazes deve ter sido memória-saudade do antigo Bandeirantes.

Lembro-me de termos organizado um baile, no Salão do Mome na Rua Candelária, animado pelo Bando da Lua, em prol da fundação do Clube. Também do Livro de Ouro. Saímos com ele à cata de doadores. A maioria dos abordados não apostava na viabilização de um clube de voleibol e bola-ao-cesto em nossa cidade. Outra lembrança: gente que nós dávamos como certo a contribuição, negar; em compensação, outras pessoas que abordávamos quase por obrigação (pré-julgávamos a negativa) assinaram o Livro de Ouro e contribuíam com satisfação. (...)

Nos anos quarenta foi uma luta para localizar terreno apropriado para nossa quadra de basquete. O comerciante Eduardo Ferreira (pai do Chaim e do Odilon) chegou a nos oferecer dois locais: um descartado pela localização (Bairro Santa Cruz) e outro, bem urbano, ao lado da capela de Santo Antônio, era menor que o necessário. Já nem me lembro quem conseguiu que a Prefeitura permitisse o uso do quintal da antiga sede do grupo escolar Randolpho Moreira Fernandes, ao lado esquerdo da Matriz, à época transformado em sede da Banda e depósito da Prefeitura. Houve uma exigência: o prefeito exigiu que se pusesse placa “Quadra de Esportes Prefeito Jacob Lyra”*.

Quebrou bem o galho. Deu até para construção de pequeno vestiário. Os dois times, tanto os locais como os visitantes, usavam o mesmo vestiário. Nunca houve uma briga ou discussão. Enchia-nos de satisfação achar que vôlei e basquete eram esportes de gente civilizada. Hoje, sei que a esportividade e a civilização não se prendiam àqueles esportes, mas àqueles anos em que a violência não fazia parte de nossas vidas.

Certa noite, nosso grupo foi à Redação do “O Indaiatubano”, na Rua Pedro de Toledo. Já não me lembro se para inserção de notícia sobre o projeto de fundação do Clube ou para pedir ao Athayde Puccinelli que assinasse contribuição no Livro de Ouro. No caminho íamos discutindo o nome a ser dado à agremiação. Ouve quem sugerisse Kalistenio (?) Cestobol Clube, Esporte Clube Indaiatubano, entre outros. Não agradou a ninguém. Durante o encontro com o jornalista, alguém mencionou a falta de nome. — Por que vocês não o chamam Guaianazes? Por quê?, retrucamos — Porque os guaianazes eram grandes guerreiros, pontificou Athayde. Não creio que ainda existam atas da sua fundação, mas, nessa noite, nasceu o nome oficial do Guaianazes Clube. (...)

A falta de documentos obriga-nos a revolver o recôndito de nossa memória para contar, com falhas e imperfeições e até injustiças (por nomes e trabalhos omitidos) do Guaianazes de curta vida e saudosa memória. Quem se dedicou com afinco a treinar e disciplinar aqueles jovens estouvados atletas de amadorismo quase infantil, foi o saudoso João Nunes Beccari. Quantas vezes deixou sua alfaiataria da Rua Candelária para treinar e orientar os jovens aspirantes a cestobolistas. Também muito importante a participação, em período menor, de um jovem alto que vinha passar temporadas em casa de sua família na esquina da Cerqueira César com o Largo das Caneleiras. Silvio Montanarini era homônimo de seu tio que jogava no Floresta e na seleção brasileira de basquete. Durante algum tempo, Montanarini nos ensinou fundamentos de basquetebol moderno: arremesso (bola partindo do tórax), passe (quicado no solo para dificultar a interceptação), drible (apontar para um lado, rodar e sair pelo oposto), além de posições, rebotes e corta-luz.

Foi Montanarini que trouxe seu tio e outros craques do Floresta e da seleção brasileira (Massenet, Alexandre, Eugênio) para reforçar o Guaianazes em jogo contra a Associação Atlética Ituana. Começamos jogando e, para variar, perdendo para o bom five ituano. Tivemos a honra de sermos substituídos por craques que haviam alcançado a medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres (1948).

Carpe diem. Tempus fugit. Gozem os dias. O tempo foge - reza a máxima latina. Adolescentes amigos, na pequenina terra dos Indaiás, pudemos curtir cada dia de nossa juventude. O Guaianazes foi um dos instrumentos. (...)

_____________

* Quando o Ginásio Municipal de Esportes foi inaugurado (década de 1980), recebeu o nome de Ginásio de Esportes Dr. Clain Ferrari, assim que foi possível alterado para Ginásio de Esportes Indaiatuba. Na época andei sugerindo que fosse rebatizado como Ginásio de Esportes Guaianazes, em homenagem à extinta agremiação. Guaianazes reapareceria mais tarde como nome da companhia que faz o nosso transporte público, porém sem reportar à agremiação. (Nota do autor)
















terça-feira, 27 de setembro de 2011

Acervo do Museu do Casarão do Pau Preto será catalogado

Uma ótima notícia do Museu do Casarão do Pau-Preto: seu acervo será todinho catalogado em um software que possibilitará formar um banco de dados com todos os seus itens.

O programa foi desenvolvido por técnicos do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e foi conhecido pelas funcionárias da Fundação Pró-Memória que trabalham no Casarão: Cláudia , Priscila Toledo e Eliane Rangel, que agora são as responsáveis pelo projeto de implementação do software e inclusão dos dados e cada item do acervo.

Este trabalho não facilitará apenas o trabalho das funcionárias, que são responsáveis pelas mostras periódicas que cuidadosamente são montadas e pelos projetos educativos do local, mas também atenderá as necessidades de documentação e consultas técnicas de pesquisadores interessados nas informações do acervo do Museu, ou seja  - de todas as coleções e peças do patrimônio da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba.

O programa contém uma iterface (template) onde cada peça é catalogada com todos os seus dados conhecidos. Além dessa ficha básica, também tem como recurso mais sete fichas auxiliares: de Restauração de pintura, de papel, de moldura e obras 3D; ficha de catalogação de autor, de molduras, de imagens relacionadas, possibilitando a formação de um banco de dados co-relacionados por palavra-chave.

A inserção dos dados no sistema não é uma simples digitação de dados, pelo contrário: para possibilitar a formação de uma banco de dados ricos e completo como pretendem as funcionárias - que são pagas pela Prefeitura Municipal de Indaiatuba - serão utilizados procedimentos metodológicos com base no Manual de Catalogação de Pinturas, Esculturas, Desenhos e Gravuras do MNBA bem como o Thesaurus para acervos museológicos de autoria de Helena Ferrez e Maria Helena Bianchini, uma consulta fundamental para acervos que não são de artes plásticas.

Por fim, vale destacar que essa ação de melhoria foi feita em grande parte por iniciativa das funcionárias, que já foram destaque neste blog com outra solução que implementaram com inovação: a revista Bicudinho.

Além do Museu do Casarão do Pau-Preto, são as seguintes as instituições que utilizam o software:

Alagoas
Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas, Maceió.


Bahia
Museu de Arte Sacra, Salvador.
Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador.

Ceará
Memorial da Cultura Cearense, Fortaleza.
Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza.
Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.
Casa de José de Alencar, Fortaleza.

Distrito Federal
Museu do Supremo Tribunal Federal, Brasília.
Museu Vivo da Memória Candanga, Brasília.
Caixa Cultural, Brasília.

Espírito Santo
Museu de Arte do Espírito Santo, Vitória.
Galeria de Arte Espaço Universitário – UFES, Vitória.
Casa Porto das Artes, Vitória.

Minas Gerais
Museu Regional de São João del-Rei, São João del-Rei.
Museu Municipal de Carangola, Carangola.
Museu de Arte Murilo Mendes, Juiz de Fora.
Universidade Federal de Ouro Preto – Museologia, Ouro Preto.
Museu Histórico de Aimorés, Aimorés.

Maranhão
Museu Histórico e Artístico do Maranhão, São Luis.
Museu de Arte Sacra, São Luis.
Museu de Artes Visuais, São Luis.
Cafua das Mercês – Museu do Negro, São Luis.

Pará
Museu de Arte de Belém, MABE, Belém.
Museu de Arte Sacra, Belém.
Museu do Círio de Nazaré, Belém
Museu do Estado do Pará, MEP, Belém
Museu da Universidade Federal do Pará, Belém.
Universidade Federal do Pará – Museologia, Belém.

Paraíba
Museu de Arte Assis Chateaubriand - MAAC, Campina Grande.
Museu do Brejo Paraibano, Areia.
Museu Casa de Pedro Américo, Areia.
Museu Regional de Areia, Areia.
Museu da Cultura Popular Paraibana, João Pessoa.

Paraná
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba.
Museu do Garimpo, Tibagi.
Museu Campos Gerais, Ponta Grossa.
Casa da Memória de Carambeí, Carambeí.

Pernambuco
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife.
Oficina Cerâmica Brennand, Recife.
Museu do Estado de Pernambuco, Recife.
Universidade Federal de Pernambuco/ Departamento de Antropologia e Museologia, Recife.
Museu da Medicina de Pernambuco, Recife.

Rio de Janeiro
Fundação Eva Klabin Rappaport, Rio de Janeiro.
Museu de Imagens do Inconsciente, Rio de Janeiro.
Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, Rio de Janeiro.
Museus Castro Maya, Rio de Janeiro.
Museu Judaico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói.
Instituto Fayga Ostrower, Rio de Janeiro.
Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Moderna de Resende, Resende.
Ateliê Carlos Vergara, Rio de Janeiro.
Museu de Arte Sacra de Angra dos Reis, Angra dos Reis.
Museu de Arqueologia de Itaipu. IBRAM, Niterói.
Museu de Arte Religiosa e Tradicional/ IBRAM, Cabo Frio.
Caixa Cultural, Rio de Janeiro.
Comitê Olímpico Brasileiro – COB, Rio de Janeiro.

Rio Grande do Sul
Museu Joaquim Felizardo, Porto Alegre.
Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre.
Museu Histórico Farroupilha, Piratini.
Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo.
Museu Municipal, Caxias do Sul.
Museu IPA (Instituto Porto Alegre), Porto Alegre.
Museu das Missões, São Miguel das Missões.
Fundação Vera Chaves Barcelos, Viamão.
Museu Municipal Monsenhor Wolski, Santo Antônio das Missões.
Museu Histórico Regional, Passo Fundo.
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, Porto Alegre.
Centro Universitário UNIVATES – Setor de Arqueologia, Lajeado.
Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Santa Catarina Museu Hassis, Florianópolis.
Museu Victor Meirelles, Florianópolis.
Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke, Joinville.

São Paulo
Pinacoteca do Estado, São Paulo.
Museu de Arte de São Paulo - MASP, São Paulo.
Casa das Rosas, São Paulo.
Casa Guilherme de Almeida, São Paulo.
SESC SP, São Paulo.
Museu Penitenciário Paulista, São Paulo.
Centro Cultural São Paulo - Coleção de Arte da Cidade, São Paulo.
Fundação Cultural Ema Gordon Klabin, São Paulo.
Laboratório das Artes de Franca, Franca.

Sergipe
Centro de Memória da Ciência e Tecnologia em Sergipe, Aracaju.

Não lava a alma da gente saber que há funcionários públicos comprometidos?
Meninas, boa sorte no trabalho, espero logo estar publicando os resultados! Dá um trabalhão fazer banco de dados e implementar sistemas novos, mas a consequencia vale a pena.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Guarda Municipal foi criada na década de 80

 Este texto é de Ana Lígia Scachetti, originalmente publicado no Jornal Tribuna de Indaiá no dia 04 de março de 1999. Em 2001 a Fundação Pró-memória de Indaiatuba republicou este e demais textos da autora no livro "O Ofício de Compartilhar Histórias" que agora está inteiramente disponibilizado no site da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba. Para ler outros textos de Ana Lígia, clique aqui.

(...) vale resgatar como o serviço de segurança pública evoluiu na cidade durante este século.

Um dos primeiros registros existentes na Fundação Pró-Memória é uma foto do Destacamento Policial da Cadeia, no ano de 1911.

Já em 1947, foi confeccionado um livreto com o regulamento da Guarda Municipal do Município. Uma comissão organizadora foi formada por Sylvio Ferreira do Amaral, Henrique Infanger, Humberto Batista, José Narciso Monteiro Neto e Felipe Nazário. Os trabalhos eram orientados pelo delegado de polícia Joaquim Gusmão Filho.

De acordo com o levantamento feito pela arquivista Denise Aparecida Soares de Oliveira, três anos mais tarde (1950) a Lei no. 241 criava a primeira Guarda Municipal da cidade. No entanto, não há, no arquivo, registros das atividades exercidas por esta corporação, bem como a data de sua extinção.

A Lei no. 977, de 18 de setembro de 1967, traria de volta a Guarda Noturna, que duraria nove anos.

Em 1983, foi instalada uma nova Guarda Municipal, que passou a ter uma participação mais efetiva no combate aos crimes, auxiliando as Polícias Civil e Militar, essas duas mantidas pelo Estado.

Inicialmente a GM foi subordinada ao Departamento de Administração da Prefeitura. Depois ela passou a ser vinculada à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMURB), à Secretaria Municipal de Administração e, finalmente, à Secretaria de Defesa Social (SEDES).

Quando começou a trabalhar, a Guarda era formada por 44 homens armados, os quais contavam com cinco fuscas, duas motos 125cc, uma Kombi e um Opala. Recém-instalada, em novembro de 1984, ela evitou um assalto ao Banco do Brasil por estar presente no Centro.

A responsável pela pesquisa, Denise, lembra que o processo de urbanização atingiu Indaiatuba nas décadas de 70 e 80. "Como consequência, houve um aumento da violência e da criminalidade, levando à revisão da parceria entre o Município e o Governo do estado e à redefinição das competências", conclui.

domingo, 18 de setembro de 2011

Bairro Santa Cruz: Origem do Nome

texto de  Sylvia Teixeira de Camargo Sannazzaro,
escrito em 1974.

Lá do outro lado do leito ferroviário situavam-se as terras do Belchior, nome dado também ao córrego da estação, por estar na propriedade desta família. Contudo era muito comum as pessoas antigas, os moradores dali, ao se referirem ao lugar, dizerem: lá da outra banda ou lá do outro lado. Acontece, porém, que esta denominação, tão constante em nosso antigo vocabulário regional, foi mudada em virtude de um acidente ali ocorrido.

Nesse tempo, parte das terras do Belchior passou a pertencer ao coronel Teófilo de Oliveira Camargo, que ali formou uma chácara com residência e, além de alguma plantação, mantinha sempre umas vacas leiteiras.

Devido à proximidade com a cidade e ar puro que se respirava nas manhãs frescas, era um hábito salutar, muito cultivado pela nossa gente, fazer um passeio matinal à chácara do coronel e saborear o delicioso leite gordo e puro, tirado na hora, aos copos com açúcar ou conhaque.

Certa feita, aconteceu que uma das reses, um tanto historienta, desapareceu da chácara, do pastinho. Foi então iniciada a sua busca pelos arredores, o que deu muito trabalho, e após dias seguidos de procura foi ela encontrada pelo Martinho, um preto, empregado do coronel.

Não sabemos como explicar o porquê da raiva do animal. sabe-se apenas, que a vaca quando vinha sendo trazida de volta para a chácara, já bem nas suas proximidades, investiu contra o homem, enterrando o chifre no seu ventre.

O coitado do Martinho morreu!

O acontecimento teve grande repercussão, devido à escassez de novidades na época.

No cemitério velho, aquele da capela, ao entrar a terceira sepultura da segunda ala, à esquerda, uma inscrição sobre a lápide do seu túmulo diz o seguinte: Martinho Camargo - faleceu dia 6 de novembro de1896 - Saudade do seu patrão. E "lá do outro lado" foi erguida uma cruz, no local exato do acidente, evocando uma prece em intenção de sua alma.

O coronel depois fez uma ermida no mesmo lugar, ali na confluência da antiga estrada de Itu com a entrada da fazenda do Barnabé. Daí em diante, o povo passou a chamar esse bairro de Bairro da Santa Cruz.

Hoje não existem vestígios dessa capelinha, que mais tarde tornou-se refúgio de leprosos andantes que armavam barraquinhas brancas nas suas imediações e aí permaneciam dias seguidos, vindo sempre à cidade, a cavalo, para pedir esmolas em uma canequinha.

A permanência frequente desses doentes, afugentava o povo, receado do contágio de tão terrível doença.

Por este motivo, a Capela Santa Cruz não foi conservada. Derrubram-na como medida sanitária, e quem por ali passasse poderia observar a existência de vestígios dessa construção, que deu origem ao nome do bairro do outro lado: Bairro Santa Cruz.





terça-feira, 13 de setembro de 2011

Patrick do Dinossauros de Indaiá recebe moção do Legislativo através de Cebolinha

Na sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba realizada na noite de ontem, segunda-feira - dia 12 de setembro, uma ação que vêm valorizando a História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba recebeu reconhecimento dos nossos vereadores, através da aprovação da Moção feita pelo vereador Cebolinha (PDT).

A Moção foi para Patrick Ribeiro, que criou e é mantenedor do grupo virtual "Dinossauros de Indaiá", da plataforma do Facebook.

Inicialmente criado para reunir lembranças de seus amigos e de sua época de juventude, mais especificamente da década de 1980, pouco a pouco o grupo de Patrick foi reunindo indaiatubanos natos e adotados de várias gerações, que postam e comentam fotos de diferentes épocas, desde feitas no século XIX até fotos atuais do próprio grupo, que também começou a se unir fora da rede para eventos culturais e filantrópicos.

Fotografias são importantes documentos históricos. Há várias maneiras de os historiadores classificarem esses documentos, mas há praticamente uma unanimidade quando se trata de indicar a importância dos registros em imagens.  Antes da invenção da fotografia era comum quem um ou mais artista fosse convidado para celebrizar a coroação de um rei, a inauguração de um prédio importante e outros acontecimentos de destaque; e nessa prática percebe-se, muitas vezes, a tendência em estilizar ou idealizar um assunto. Essa "evocação" artística, algumas vezes feitas após (e muitos anos após) o evento, distancia-se da necessidade de se registrar a verdade histórica (ela existe, afinal?) e se aproxima muitas vezes de anacronismos. Um clássico exemplo é a imagem de Pedro Américo da Proclamação da Independência, com aquela imponência toda de D. Pedro em seu cavalo branco, quando é sabido que ele estava mesmo era numa mula e sofrendo um sério desconforto intestinal.

Mas com fotografias essa subjetividade desaparece, a não ser quando presente em quem a interpreta. E interpretações é um dos fatores que mais encantam os dinossauros que frequentam o grupo virtual em diferentes periodicidades. Todos tentam identificar as pessoas, a data, o evento. Muitas vezes isso é feito com muita precisão e certeza, em outras nem tanto, há apenas os que se arriscam a dar pistas ou palpites que por sua vez geram ou não outras memórias e assim por diante. Forma-se uma interação virtual onde muitos se divertem e aprendem e quem ganha com isso é a nossa Indaiatuba, que se vê retratada, comentada, defendida, enfim... amada.

Amada pois é em imagens e comentários pontuais que cada um se encontra e encontrando-se, cada dinossauro se reconhece como parte de um todo, desse todo que é a cidade que de repente descobrimos que amamos tanto. E a liderança desse dinamismo todo cabe principalmente ao criador e principal mantenedor, o paulistano que fez despertar em muitos esse amor adormecido: Patrick. A toda essa questão particular e ao mesmo tempo coletiva, soma-se a importância imensurável da formação do maior e creio o mais importante acervo iconográfico de nossa cidade. Fotos descartadas e esquecidas, muitas vezes condenadas ao esquecimento ou lixo  foram emergindo e retomando sua importância no âmbito das famílias e mais do que isso, no âmbito coletivo. Impagável isso, ainda mais quando compartilhado democrática e generosamente.

Muitos podem criticar essa iniciativa do Legislativo apontando a ação como fútil ou superficial. Estamos todos muito reativos à políticos por causa de sucessivos escândalos que envolvem a classe. Escandalizados e feridos, muitas vezes a gente generaliza e dá repúdio a ações de alguns como se todos fossem iguais. Creio que esse reconhecimento feito pelos nossos vereadores e viabilizado pelo vereador Cebolinha é uma das muitas excessões as quais temos que dar destaque. Com muita adequação, reconheceram a atitude de um cidadão que não é partidário e que soube tomar uma oportunidade para exercer sua cidadania, trazendo junto de sí muitos outros, que durante esse período de participação no grupo dinossauros, vêm valorizando cada vem mais nossa História, nossa Memória, nosso Patrimônio.

Parabéns Patrick pelo reconhecimento público à sua iniciativa e parabéns Cebolinha por ter tido a sensibilidade de reconhecer um trabalho que é cultural, social, histórico, de diversão e outros atributos que cada um dos dinossauros poderiam citar, com o fundo da sinceridade de seus corações. E feito espontânea e gratuitamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Reflexões sobre uma cidade que desaparece aos poucos

texto de Marcos Kimura
originalmente publicado no jornal Tribuna de Indaiá de 10/09/2011


Quando o antigo prédio da Prefeitura foi vendido para virar uma loja comercial, diziam que ele não tinha valor histórico porque tinha apenas algumas décadas de existência. Bom, com esse raciocínio, nada chegará a ser centenário em Indaiatuba, já que tudo vai para o chão sem nenhuma cerimônia, em nome de um suposto progresso.

A última vítima foi o obelisco da rotatória do “Telhadão”, de autoria daquele que talvez seja nosso maior artista plástico, José Paulo Ifanger. A Prefeitura enviou por escrito a informação de que “Solicitou uma avaliação por parte da Fundação Pró-Memória, que concluiu que a remoção e transporte do monumento da rotatória da Avenida Conceição para outro local na cidade despenderia de alto custo, por isso não foi feito”. O presidente da fundação, Antônio Reginaldo Geiss, se sabia disso, amoitou para a imprensa e para os conselheiros. Já não bastasse os imóveis particulares de interesse histórico serem derrubados ou deformados por falta de qualquer regularização, agora os próprios bens do patromônio público desaparecem sem que haja qualquer discussão com a sociedade. E a entidade que supostamente deveria centralizar esse tipo de discussão – já que mantém um Conselho de Preservação – deu luz verde. E se fosse um dos marcos do Rotary ou do Lions Clube que ornamentam algumas praças e rotatórias, a atitude seria a mesma?

Outro obelisco da cidade viveu uma epopeia, descrita num opúsculo do arquiteto Fernando Martins Gomes, que sequer era daqui, mas se interessou pela história. Em 1930, o prefeito Major Alfredo Camargo da Fonseca encomendou o Hino Indaiatubano para comemorar o centenário da cidade e também mandou erguer um monumento comemorativo na Praça da Matriz. Depois que ele deixou o poder, seu inimigo político eleito prefeito, Scyllas Leite Sampaio, mandou retirar o obelisco, que foi levado para um depósito e depois teve diversos destinos ao longo dos anos, até ser recolocado no seu lugar original. A placa comemorativa, recuperada pelo próprio presidente da Fundação Pró-Memória, Antônio Reginaldo Geiss, foi recolocada no monumento. Sem seu pedestal original e com uma placa adicional que marca a reforma da Praça Leonor Barros Camargo pela administração Reinaldo Nogueira, não é tão imponente quando de sua inauguração e virou monumento multiuso. Ainda assim, o velho bloco de granito está lá, ao contrário da obra de José Paulo Ifanger, erguida pelo então prefeito José Carlos Tonin para celebrar a inauguraçãoda Avenida Conceição, destruída para sempre.

Quando a Fundação Pró-Memória completou 10 anos, houve celebração na Sala Acrísio de Camargo, na qual o prefeito Reinaldo Nogueria, na época em seu segundo mandato, discursou. Ele falou da saudade que tinha dos velhos prédios do entorno da Praça da Candelária, e que tinham desaparecido. Pensei: Peraí! Quase todos tinham ido abaixo durante a administração dele! Então porque não tomou nenhuma atitude? Ah, a administração pública não tem instrumentos para impedir a demolição de imóveis particulares. Mas também não os tem para reprimir invasões de terrenos privados, mas o faz com rapidez exemplar. Ou seja, é uma questão de vontade política.

Na vizinha Campinas, a demolição do Teatro Municipal por conta da ampliação da Avenida Francisco Glicério gera debates apaixonados até hoje. Muitos contestam o laudo da prefeitura que alegou falta de condições do prédio de resistir às obras do entorno, e apontam o equívoco que foi e é o Castro Mendes, que o substituiu, e atualmente se encontra em estado de reforma eterna. Aqui, tivemos um Paço Municipal, que reunia Prefeitura, Câmara Municipal e Cadeia, no meio da Praça Prudente de Moraes até os anos 60, quando os poderes Executivo e Legislativo se mudaram para a Brasilinha, como o Paço da Rua Cerqueira César foi chamado. Os dois prédios poderiam ter sido aproveitados como equipamento público, mas os mandatários da vez preferiram demolir um e vender o outro. A atual Prefeitura, erguida sob a justificativa de poder reunir toda a adminisração num só lugar, com menos de dez anos de existência já será reformada por não conseguir mais abrigar o funcionalismo público que ali trabalha. Vai dar conta dos próximos 10 anos? Orgulhoso cartão-postal do governo Reinaldo Nogueira, quem garante que, no futuro, outro prefeito não decida vendê-lo para que ele vire um shopping center? Com o que, aliás, o prédio se parece bastante.





E se fosse um desses marcos a ser demolido? A indiferença seria a mesma?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tardes

autor: Acrísio de Camargo - autor da letra do "Hynno Indaiatubano"

A roça é alegre,bunita,
quando o sor vai se escondê
O céu azur,cor de fita,
parece se ingrandecê...

O vento passa maciu
vôa baxo os taperá
E as agua fresca do riu
corre manso e devagá...

O campo verde, cherôso,
tudo infeitado de frôr,
de tão bunito e gostoso
Parece um ninho de amor

Tudo é graça e buniteza
na roça de tardezinha
parece inté que a pobreza,
alegra a nossa vidinha...

Hora da ceia que férve
no prato queimâno a mão...
A cumida, tudo serve
basta mandiôca e fejão

domingo, 28 de agosto de 2011

Ponto de vista: Por que Rui Barbosa mandou queimar os documentos da escravidão?



texto de Keila Grinberg
Departamento de História, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro,
sobre um polêmico episódio  da História do Brasil



Algumas histórias nascem ninguém sabe como. Quando nos damos conta, elas viram causos, passados adiante como se fossem verdade. Isso acontece entre amigos, no interior das famílias e também... na história do Brasil. Quer um exemplo?

Muita gente conta como Rui Barbosa, um dos políticos mais importantes da história do país, destruiu os documentos da escravidão logo após a proclamação da República em 1889. Aproveitando-se do cargo de ministro da Fazenda, ele teria mandado queimar esses documentos, supostamente para acabar com esta “mancha negra” da História do Brasil. Isto é contado como um grande absurdo, como se Rui Barbosa quisesse apagar o passado do país.

Nada mais errado. É verdade que Rui Barbosa mandou queimar documentos sobre a escravidão, mas não para destruir os traços das vidas dos escravos.

Ele fez isso porque, quando os escravos foram libertados no Brasil, em 13 de maio de 1888, a lei estabeleceu que os antigos senhores não seriam indenizados, ou seja, não receberiam nenhuma recompensa pelo fato de estarem sendo obrigados a libertar seus escravos. Afinal, em pleno fim do século 19, era um absurdo achar que uma pessoa pudesse ser dona de outra pessoa! Naquela época, o Brasil era o único país do Ocidente que ainda permitia a existência da escravidão.

Acontece que os senhores dos escravos não aceitaram tão facilmente essa decisão. Se dependesse deles, continuavam a ter escravos! E exigiam ser recompensados pela perda.

Já Rui Barbosa achava o contrário: se alguém tivesse que ser indenizado, seriam os ex-escravos, que haviam trabalhado a vida inteira sem receber nada. E foi o que ele disse aos senhores.

Mas os antigos proprietários não descansavam e continuavam a reclamar. Então, para acabar com a discussão, Rui Barbosa mandou queimar os documentos que comprovassem a quem tinha pertencido cada escravo. E foi o que aconteceu: no dia 13 de maio de 1891, para comemorar os dois anos da abolição da escravidão no Brasil, foi feita uma grande fogueira no centro do Rio de Janeiro. Foi uma festa e tanto, com a presença de vários líderes abolicionistas.

Assim, Rui Barbosa evitou que os antigos senhores de escravos, depois de terem usufruído por anos e anos de trabalho de graça das pessoas que mantinham em cativeiro, ainda recebessem dinheiro pelo fato de tê-los libertado.

Nem tudo, porém, foi destruído. Aliás, quase nada. Há ainda milhares de documentos sobre a escravidão nos arquivos, usados pelos historiadores para escrever a história deste passado impossível de esquecer.

(publicado originalmente na coluna Máquina do Tempo em 26/08/2011)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

REPREHENSÕES

autor: Acrísio de Camargo - autor da letra do "Hynno Indaiatubano"


Ritinha tóme cuidado,
voce ja num é criança.
Va cahi, c'o namorado,
na boca da vizinhança...

No rapáis num pega nada...
é um home; pense direito...
Veja que muié falada
num têm arranjo nêim jeito.

Inquanto ocêis num casá
num ande andano sozinho;
puis ja viéro me contá
que viro ocêis no caminho...

Farta um meis pro casamento.
Num custa chegá esse dia.
Despois daquele momento
tudo ha de i bêim minha fia.

Num ande mais por ahi.
Despois...-marido e muié
póde passiá inté durmi
na estrada se ocêis quizé.

 


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Farmácia Candelária - Nova foto da festa de (re) inauguração

(clique para ampliar)

Esta foto inédita é da festa de (re) inauguração da Farmácia Candelária, que aconteceu  no dia em que ela completava 50 anos de funcionamento em Indaiatuba.

Relembre do fato aqui e aqui.

Quem cedeu a foto após visitar o blog foi Francisco Xavier da Costa Garcia,  neto de Francisco Xavier da Costa, dono da "Pharmácia Candelária", grande botícário que trabalhou em Indaiatuba desde o século XIX - que além de boticário e farmacêutico - era o único "curador" que em muitas ocasiões tinha em nossa cidade.

Francisco Xavier da Costa Garcia é filho de Maria da Glória Costa Garcia, por sua vez filha do Chiquinho Boticário, como era conhecido aquele querido farmacêutico que cuidou, manipulou e vendeu remédios para a grande maioria da população indaiatubana do final do século XIX até mais da metade do século XX.

Francisco Xavier da Costa Garcia, que nasceu em 1944, reside há mais de 40 anos em Mato Grosso do Sul, onde constituiu família, tendo 3 filhas e três netos. Encontrou o nome do avô neste blog pesquisando na Internet.

Obrigada pelo envio e autorização de publicação, Sr. Francisco!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desaforos

autor: Acrísio de Camargo - autor da letra do "Hynno Indaiatubano"


Rânque a faca seu porquêra
Ocê pra mim num é home
Ja têim feição de cavera
Cara de morto de fóme.

Cabeça de sucuri,
nariz de porco do matto.
A gente oiâno um quati
parece ve seu retráto

Péste ruim, sogeito atôa,
marcriado, sêm vergonha,
Apanhô inté de alemõa

Meta a cára num buráco
e suma de nossa vista.
Bôca de avô de macaco.
Testa de gallo sêm crista.

Tua mãe é separada,
teu pai largô e foi simbóra...
E a minha foi sempre honrada
proque é sortêra inté agora!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

19 de agosto - Dia do Historiador

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) deu parecer favorável, recentemente (09/09/2008) ao projeto de lei que institui o Dia Nacional do Historiador. A proposta que homenageia os historiadores é de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Originalmente, o texto estabelecia que a data seria celebrada no dia 12 de setembro.

Mas o relator da proposição na CE, senador Augusto Botelho (PT-RR), propôs uma emenda - aprovada pela comissão - que altera a comemoração para o dia 19 de agosto. A nova data foi escolhida para homenagear Joaquim Nabuco, que nasceu em 19 de agosto de 1849 e também foi historiador.

JUSTIFICAÇÃO (por Cristovam Buarque)

Um povo sem história é um povo sem memória. Essa afirmação, mais que um dito já popular, é também uma verdade histórica, pois todos os agrupamentos humanos que não preservaram sua memória - em histórias, documentos, objetos de arte e arquitetura - acabaram sucumbindo a ditaduras e até acabaram por desaparecer da face da Terra. Por essa razão, não apenas a disciplina que trata das histórias dos povos deve merecer nossa atenção, mas também os cientistas que se dedicam a essa tarefa tão nobre. Obviamente, a história se faz por seus protagonistas: lideranças políticas, religiosas e econômicas, por um lado; grupos populares, lutas contra a opressão e pela libertação, por outro. E para registrar tudo, o historiador. E de tal modo é importante o papel dos historiadores que, por vezes, eles ajudam, também, a reconfigurar a história de um País.Ao lado da Filosofia e da Literatura, a História está presente desde os primeiros momentos da nossa tradição ocidental, constituindo um dos saberes mais antigos de nossa civilização. (...)

Fonte: café história

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