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Arquivo virtual de História, Memória e Patrimônio de Indaiatuba (SP) e região.*

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Pedágio - O que aconteceu na História?

Eliana Belo Silva


Nos primórdios da sociedade feudal, a vida transcorria sem muita utilização do capital, a economia era de consumo e cada aldeia feudal era praticamente auto-suficiente. Mas havia um certo intercâmbio de mercadorias, em algumas feiras,  quase sempre locais, onde o excedente produzido mais por acaso do que por intenção era trocado: vinhas por casacos de pele; grãos por carne e assim por diante. Durante muito tempo o que dificultou a intensificação dessas feiras foram as condições das estradas: estreitas, mal feitas, enlameadas e frequentadas por duas espécies de salteadores:  bandidos comuns e senhores feudais que faziam parar os mercadores e exigiam que pagassem direitos para trafegar em suas estradas abomináveis.

Eram os pedágios medievais.

"A cobrança do pedágio era uma prática tão comum que quando Odo de Tours, no século XI, construiu uma ponte sobre o Loire e permitiu o livre trânsito, sua atitude provocou assombro", conta Léo Huberman, em seu agradável livro "História da Riqueza do Homem".


Mas o comércio não permaneceu pequeno. As feiras locais foram substituídas por feiras imensas, que passaram a negociar mercadorias por atacado que provinham de tudo quanto é canto do mundo conhecido e alcançável, mesmo que por caravelas. 

Artesãos locais e revendedores errantes foram eclipsados por Mercados onde eram oferecidas mercadorias do mundo todo, ou seja, chegou o dia em que o comércio cresceu. E tanto cresceu que as cidades emergentes convidavam os mercadores de todas as partes para participar de suas feiras - agora urbanas. E para atraí-los, ofereciam uma espécie de salvo-conduto para ir e voltar: ficavam isentos de pagar os pedágios dos arredores.

Ou seja: o pedágio medieval sofreu pressão para ser abolido. Pressão feita pela necessidade da expansão comercial. Pedágio significava uma barreira - uma das - para o crescimento das cidades, um estorvo para o crescimento do comércio.

Bom... acontece que, se os mercadores se livraram de um dos salteadores citados no começo desse texto - o senhor feudal que cobrava os tais pedágios -, não ficaram livres da outra classe de ditos salteadores: a dos bandidos comuns, que continuaram a assaltar - multiplicando-se cada vez mais, os mercadores que iam e vinham de feira para feira. A necessidade de segurança e ordem nas estradas cresceu.

E como quase sempre na História, alguém começou a tomar o poder, desta feita, aquele que era do Senhor Feudal: um rei, um duque, um príncipe ou qualquer outro título de nobreza que o valha. Formaram-se os Estados Nacionais com um desses ditos nobres no poder. E para garantir sua soberania, passaram a cobrar impostos, alguns deles justificados pela necessidade de "por ordem e segurança nas estradas". Sim! Estabeleceu-se um sistema nacional de impostos, esse mesmo, que conhecemos até hoje.

As promessas da época  também eram as mesmas de hoje; nisso a História não mudou quase nada: o trabalhador paga parte do que produz (e também do que consome) em forma de impostos para o governo, que por sua vez investe (promete investir seria mais adequado em alguns casos) na qualidade e segurança das estradas (e outros itens, como educação, saúde, segurança).

Hum... Mas eis que os impostos que atualmente pagamos após esses séculos decorridos, não atingiram seu objetivo. A qualidade e a segurança das estradas não são o primor que deveriam ser  - proporcionalmente à quantidade de impostos que são pagos. Mas uma coisa mudou: além de pagar esses impostos todos... quem diria... também voltamos a pagar pedágios!

Após aproximadamente oito séculos de história aqui resumida, resta-nos uma pegunta: que espécie de salteadores estão nos saqueando agora?



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Dia 1º de Julho - quinta-feira.
6:30 hs.
Na frente da Balila.
Dia da Luta Contra os Pedágios Abusivos do Estado de SP
Proteste, participando da manifestação pacífica na praça do pedágio de Indaiatuba.
                          Acesse no FACEBOOK: http://www.facebook.com/movimentoantipedagio



Indaiatuba assiste aos primórdios da aviação

texto de Ana Ligia Scachetti*

Nos  registros da história indaiatubana da primeira metade do século XX, encontrados na Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, há pelo menos três momentos em que a cidade voltou-se para a aviação. O primeiro em 1921 (1), foi quando um teco-teco pousou por essas bandas. Mas tarde, na década de 40, foi instalado um campo de aviação onde hoje existe a Clínica de Repouso Indaiá. E, para completar, da década de 50 tentaram fundar uma escola de aeronáutica.



A passagem do primeiro avião é contada com detalhes nas crônicas de Archimedes Prandini (publicada na Tribuna em 27/7/1965) e de Antônio Zoppi ( o Teco-teco é o texto mais antigo do livro Reminiscências de Indaiatuba). Ambos lembram que toda a população foi para as ruas conferir de perto a máquina que só tinham conhecido pelo cinema.

Acontece que um problema no motor da aeronave obrigou o capitão Bruci, da Polícia do Estado do Paraná, a descer nas terras de Antonio Pinheiro (local em que atualmente encontra-se o Hospital Augusto de Oliveira Camargo). A multidão de indaiatubanos curiosos acompanhou cada momento do conserto. Em volta do aviãozinho foram instalados até tabuleiros de doces.

Archimedes escreve: "Chega o dia da partida, o aviador despede-se e movimenta a hélice, mas devido ao forte vento produzido pela mesma, faz um dos tabuleiros que se encontrava próximo fosse jogado a certa distância, dano a oportunidade a que a molecada se deliciasse com gostosos doces sem pagar".

Feitos os reparos necessários, o teco-teco finalmente alçou vôo na direção de Itu. Porém, alguns dias depois, Indaiatuba recebeu a notícia de que a aeronave havia caído na cidade de Buri, resultando na morte do capitão.

Juventude

No início da década de 40, alguns jovens indaiatubanos que tenham suas primeiras aulas de vôo tiveram a ideia de construir um campo de aviação na cidade. O projeto foi autorizado pelo então prefeito Jácomo Nazário. Entre notícias de melhoramento e infra-estrutura da cidade, no jornal O Indaiatubano de 16/5/1944, é divulgada a instalação de um "magnífico" campo de aviação para treinamento. O campo, que teve vida curta, tinha 750 metros de comprimento e 150 metros de largura, com um hangar de 15m x 15m.

Poucos anos depois, a Lei Municipal no. 278, de 4/9/1951, autorizou um acordo com o comandante da Escola Santos Dumont para a fundação da Escola Aeronáutica de Indaiatuba, que formaria pilotos e mecânicos. A Lei 305/52, no entanto, revogaria essa decisão acabando com a escola que serviria de sede para o aeroclube.



O correto é "guarda-campo" e não zelador como consta na imagem.





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* Publicado originalmente no Jornal Tribuna de Indaiá em 22/04/1999 - página 06 e mais tarde, junto com outros artigos da jornalista, no livro "O Ofício de Compartilhar Histórias", na página 48 (veja imagem da capa abaixo)

(1) Nota da autora - Com relação a esta data, há divergência entre os cronistas locais. Enquanto Nabor Pires Camargo afirma que o fato ocorreu em 1915, Antonio Zoppi e Archimedes Prandini dão como certo o ano de 1921. Por outro lado, segundo depoimento de Antonio Charybdes Costa Sampaio, em 27 de maio de 1997, o acontecimento deu-se no ano de 1920.



campo de aviação em estrada de terra
campo de aviação Indaiatuba
avião antigo
avião década de 1940

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Sombra do Coração

Imagem do Largo da Matriz antes da iluminação pública eletrificada.

A Sombra do Coração



Diz um poeta popular:
onde anda o corpo - é verdade
que a sombra vai pelo chão,
é assim a saudade,
a sombra do coração.

Quem não se lembra?
Quem não se recorda dos nossos tipos populares?
Não retratá-los nestas colunas seria imperdoável omissão.
Ao descrevê-los, tivemos em mente a boa intenção.
Os nomes aqui trazidos surgem de um bem-querer que o passado não conseguiu esquecê-los, enterrá-los.
Não foram eles muitos, porém, os poucos que surgiram, passaram a fazer parte integrante de nosso cotidiano e ainda emocionam pela originalidade.

Poder-se-ia dar-lhes bastante relevo, destacar cada um por si; todavia nos parece que teríamos de usar e abusar do lápis para deixar gravados nas colunas deste nosso semanário a expressão indelével dos nossos personagens - que foram, e ainda são - benquistos pela população e que se confundem nos anais de nossa própria história.

Não seria veleidade querer chegar à tanto, em dedicar a biografia de cada um, espaço destacado e especial.

Quem não se lembra?
Surgiram eles meio século atrás e merecem ser lembrados.

Quem não se recorda do estimado e popular Nenê do Lampião

Homem amável  no trato. Sorriso largo, bacana. Está ligado à Indaiá por sinceros laços de recordações e amizades que soube muito bem granjear, Gozava conceitos dos mais positivos.

Era visto, infalivelmente, todas as tardes à iluminar nossas vias públicas, silenciosas, que tornavam-se noites gostosas sob o condão mágico de Raul Bicudo, Milóca, Hilário, Zoppi e muitos outros instrumentistas famosos, músicos de escól, de verdade, da velha guarda; sabiam proporcionar serenatas lindas, românticas, de poesias, sob o céu de noites enfeitiçadas, de estrelas, de calmaria impressionante. Tempos esses que jamais voltarão... que pena!

Quantas saudades, nossa velha e amiga Indaiá!

Por Deus, não esqueci, não. O Barba, quem há de esquecê-lo? Transportando seu carrinho de mão com mercadorias, encomendas para o comércio.

Homem simples, humilde, humano, bom, alegre, prestativo, tendo sempre um sorriso brejeiro, a dizer galhofas, a contar estórias, incitando gostosas gargalhadas.
Que beleza, minha gente!

Ah! E o Cipriano? Poder-se-ia esquecê-lo? Nunca... não!

Esse nosso amigo era apologista inveterado da cachaça. Não havia quem lhe negasse um "taludo martelo" da boa; bem... nem que fosse da ruim.

Além do mais o nosso Cipriano gostava de cantar... e que voz!

Hoje, na certeza seria gongado ao abrir a boca.

Seus amigos, de vez em quando, haviam por jogá-lo em um higiênico banho no tanque do Bicudo. Seus pés viviam inchados pelos bichos-de-pé e o banho trazia seus benefícios.

Foi internado na Santa Casa de Misericórida de Itu, onde veio a falecer vitimado pelos mesmos.


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Luiz Carlos Sannazzaro nasceu em 9 de fevereiro de 1912 e faleceu em 26 de julho de 1980. Chegou em Indaiatuba em 1935 para trabalhar e responsabilizar-se pela Farmácia São José. Era casado com Sylvia Teixeira de Camargo e teve quatro filhos: Carlos Adalberto (que me deu o livro de onde copiei esse texto), Luiz Carlos, Silvia Carolina e Donária Silvia. Tem dois livros publicados: Divagando, de 1977 e Divagando II de 2000, fonte original deste post, que cita indaiatubanos da primeira metade do século XX.

Só mesmo um poeta como Luiz Sannazzaro para usar a definição ..." era apologista inveterado da cachaça"!


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Água Encanada em Indaiatuba


Iimagem da  caixa d’água inaugurada em 1937, construída no triangulo da atual Rodoviária na rua 24 de Maio, esquina com Presidente Vargas cedida por Antonio da Cunha Penna.

Ao lado da caixa aparece o antigo parque municipal. À direita, as instalações da futura Têxtil Judith S/A. Pode-se notar que a rua 24 de maio está sendo asfaltada, fato que aconteceu no governo do prefeito Jacob Lyra - (Gestão 1952/55) - Informação de Antonio Reginaldo Geiss.





Água Encanada em Indaiatuba


texto de Dilermando Pedroso de Barros
publicada no livro "Lembranças de Menino"

O comentário era grande em torno da viabilidade de Indaiatuba vir a ter água encanada.

Mas, afinal, um menino de 12 anos pouca possibilidade tinha de infiltrar-se nos meandros administrativos e políticos. Então, só restava ouvir o que diziam em torno do assunto.

Rebuscando, entretanto, minhas lembranças, volvo-me ao ano de - possivelmente- 1937 e vejo a enorme caixa d´água de cimento assentada sobre as colunas de concreto e muita gente em suas cercanias, aguardando a cerimônia de inauguração.

Essa caixa seria receptora e a distribuidora de precioso líquido ao pequeno lugarejo, eregida à margem esquerda da avenida de eucaliptos, na saída para Campinas.

Padre, coroinhas e povo aguardavam o início das comemorações. Enquanto isso, alguns homens - com palmas de indaiá - aspergiam a salmoura na carne do churrasco que começara a assar, sustentada por espetos de taquara, dispostos ao longo da valeta com brasas e que havia sido aberta naquela terra vermelha.

O homem central destes acontecimentos era o prefeito em exercício, o Dr. José Cardoso da Silva.

O Dr. Cardoso, além de prefeito, era médico chefe do Hospital Augusto de Oliveira Camargo. Todos diziam que ele gozava de prestígio e estima com Dona Leonor de Barros Camargo, doadora do hospital à cidade.

A prefeitura era pobre e não tinha recursos financeiros suficientes para a realização das obras da tão almejada  água encanada.

A população, em tom de zombaria, e diante das dificuldades e quase desesperanças, quando se referia à ela, referia-se como a  "água enganada de Indaiatuba."

Comentava-se, então, que pela influência do Dr. Cardoso, ele conseguira de Dona Leonor o dinheiro, como empréstimo, para a realização do almejado sonho. Uma outra facção, porém, comentava que o dinheiro foi possível pelos contatos anteriores efetuados pelo Dr. Scyllas Leite de Sampaio, que também gozava de prestígio e estima junto à grande Senhora.

De qualquer maneira, o sonho acalentado tornou-se realidade. A caixa d´ água receptora e distribuidora fora eregida e os canos, distribuídos e implantados. Por tudo isso, as festanças a que estávamos presenciando.

Como não poderia deixar de ser, nasceu em Indaiatuba uma polêmica: a qual dos dois últimos prefeitos devia-se a implantação dos serviços de água e esgoto da cidade?

Logicamente este é assunto para os pesquisadores da história de Indaiatuba. Entretanto, para nós, crianças, importava que a nossa cidade estava entranto para o rol das cidades importantes, mesmo com a zombaria de alguns conhecidos saltenses, que diziam:

_ " Agora sim, os indaiatubanos vão tomar banho todos os sábados!"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MEU NOME É... ANISTARDA

 texto de Anistarda Clemente Caldeira
originalmente publicado no livro "Um Olhar sobre Indaiatuba II" (2008)



Para a surpresa de muitos, meu nome é Anistarda Clemente Caldeira.

Somente aos vinte e cinco anos, quando fui votar pela primeira vez, fiquei sabendo que meu nome é Anistarda (estranho!). Nem eu sabia que eu tinha o nome de uma das minhas avós.

Nome que, aliás, não tenho nem idéia do que significa.

Candelarinha eu gosto mais, devido à madrinha que me batizou que tinha esse nome.

Nasci em Indaiatuba (1) , cidade que amo, venero e luto para defendê-la.

Nasci na fazenda Sertão de propriedade da família Amaral.

Minha vida de trabalho começou cedo. Aos quatro anos de idade perdi minha “mãe” Durvalina Barbosa. Sem colo de mãe a vida é bem difícil.

Freqüentei o Grupo Escolar Randolfo Moreira Fernandes, onde concluí o curso primário.

Meu bom pai - João Clemente - precisava do meu trabalho para ajudar nas despesas da casa. Fomos colher café e algodão na fazenda Rio das Pedras. Eu só tinha nove anos quando meu pai casou-se pela segunda vez.

Na roça, ainda criança, me levantava de madrugada, e só voltava para casa à tarde, como várias crianças e adolescentes. O café e o almoço eram esquentados no bule e na marmita sobre uma pedra aquecida pelo sol.

Naquele tempo era normal que as crianças trabalhassem. Nossa diversão era ver o trem passar na estação de Quilombo, batizar bonecas e preparar nossa própria comidinha.

Um grande sonho chegou... Voltei morar com minhas tias Jesuína, Candelária e Izabel no Hotel Bela Vista, um antigo casarão que existia na esquina da 9 de Julho com Bernardino de Campos em Indaiatuba. Era eu que levava as marmitas para os fregueses nas próprias casas.

Trabalhei vários anos como empregada doméstica, engomava enxovais de noivas filhas de famílias tradicionais de Indaiatuba, trabalho verdadeiramente “difícil”. Para engomar colchas da Ilha da Madeira era preciso muita paciência, atenção e força de vontade.

Também trabalhei estrangulando frangos para a Quitanda do Mário Tomatake; era preciso força bruta e dobrada, “estômago”. Mas eu precisava trabalhar, e o fazia com orgulho e com a valiosa ajuda da Tuta. Estrangulávamos até 200 frangos por sábado. No final do dia ficávamos com cheiro das aves. Mas, tudo se enfrentava com sorriso nos lábios e alegria no coração porque sempre era uma renda a mais. E minhas tias precisavam de alimentos, de remédios e atendimento médico. Sempre contei com a valiosa ajuda de Dr. Pedro Maschietto e de seu filho, meu querido amigo Dr. Pedrinho. Nunca me deixaram órfã. Sou grata a eles que me socorreram e nada cobraram. Isso não tem preço.

Dona Marina é minha segunda mãe.

Casei-me em 1951 com Geraldo Caldeira o “Pixe” com quem vivi feliz por vinte e nove anos. Fizemos Bodas de Prata, celebrada pelo Padre Francisco em nossa casa, rodeados de amigos queridos por mim e pelo Geraldo. Dona Marina Maschietto Magnusson, José e Irani, José Paulo e Maria Alice, José e Cecília de Campos, Regina e nosso Penna (fotógrafo da família), Aurora Scodro Groff., Carlos e Araci, Tulo e Onesi e outros amigos. Mas que turma! E toda a minha família.

Quando eu casei, trabalhava no Cotonifício Indaiatuba (nada de moleza, a negona aqui era sacudida, chuva ou sol... eu tava lá).

Nessa época, minha companheira de trabalho era Conceição Aparecida Brossi. Ela namorava o Zé Brossi e eu, o Geraldo. Quando o edital do casamento foi publicado com o nome de Anistarda, as colegas de trabalho ficaram assustadas, pensando que o “Pixe” ia se casar com outra! Anistarda era eu mesmo, essa valente indaiatubana que recebeu o apelido de Candelarinha, mas valeu.

Infelizmente, no casamento perdi o único bebê que tinha concebido. Em compensação adotei duas meninas que hoje eu considero como filhas e elas, eu como mãe. Mãe do coração pois o amor está na alma, onde há lugar para quem precisa de amor.

Gildete e Maria Benedita - a Tuta - são os meus tesouros. Seus filhos, meus netos (da primeira) são:  Willian, Iria, Ueslei e os gêmeos Ueuton e Yara. Da Tuta, Wagner e Emerson. “Formou-se uma família”.

Trabalhar para mim continua ser mais que uma necessidade, um prazer. Minha casa está sempre repleta de bons amigos.

Quem não compra bolo, compra salgadinhos!

Com a ajuda da amiga Odete Rodrigues, eu faço bolos e salgados para eventos “importantes”.





Candelarinha, D. Odete e Zefa

Imagem original cedida por Emil Geiss
Originalmente publicada no álbum virtual do grupo "Dinossauros de Indaiá" ,
do mantenedor Patrick Ribeiro no Facebook.

 
Também trabalhei na função de merendeira nomeada, então, pelo Prefeito Mário Candello meu protetor e amigo de jornada.

Ingressei na Prefeitura da nossa querida e abençoada Indaiatuba, no Grupo “Randolfo Moreira Fernandes”. Um paraíso para mim onde já trabalhavam a Sinira Matias, filha do famoso Eduardo “curador” e a minha sócia protetora como servente Odete Pedroso. O Prof. Milton Leme do Prado era o diretor.

Para melhorar a merenda da conhecida escola a gente não media esforços, pedia reforço nas quitandas, armazéns e açougues e todos colaboravam. Os filhos da nossa gente indaiatubana é que se deliciavam! Era trabalhoso, mas a polenta com carne moída, deixava a criançada doida! Até hoje quando encontro a “criançada” de ontem, muitos se lembram da minha polenta. Em 1ª. lugar estavam os alunos!

A Escola Randolfo Moreira Fernandes era uma “família”. Que pessoal legal! O professor Prado era um colega de verdade.

Quando eu chegava cedo, já lhe fazia um cafezinho. Ele vinha tomar na cozinha. Fazia sopa de pés de frangos, ele saboreava lambendo os “beiços”. Todos vinham na cozinha para saborear ou só para sentir o bom cheiro da merenda.

Gente fina, educados e amantes da profissão, professores que exerceram o trabalho com êxito. A Onesi, eu amo e respeito!

“Triste madrugada foi aquela...”. O novo prefeito me transferiu para outra escola:  do Randolfo para a Escola Estadual Benedita Wagner no Bairro Santa Cruz e futuramente para Escola no jardim Morada do Sol. Isso foi o pior castigo que tocou minha pele “negra”. Até hoje eu procuro entender o fato, mas, ninguém sabe me explicar.

Eu como precisava trabalhar e não havia outro jeito, obedeci.

A transferência mudou a minha organizada vida, me obrigava sair de casa de manhã e só voltar no fim do dia. Assim os cuidados que eu dispensava a tia Izabel, a querida Zabé, (já esclerosada) ficaram prejudicados.

Eu pretendia me aposentar por tempo de serviço, mas tive então de deixar o emprego para cuidar da minha tia, já velhinha.

Aposentei-me por idade, perdendo assim a chance de receber a aposentadoria integral. O salário diminuiu, mas os amigos não. Voltei para o calor do fogão, quando nos falta o calor humano, Deus dobra as nossas forças para continuar. Obrigada Senhor!

Comecei preparar feijoadas com minha sócia Odete. Como meu salário era insuficiente, passamos a fazer doces e bolos novamente.

Odete é uma cozinheira de mão cheia e acolheu logo a minha necessidade.

Como não gostamos de comida congelada, passávamos noites e madrugadas preparando os pedidos.

A Unidos de Indaiá é minha escola de samba do coração, menina dos meus olhos, alegria da minha vida. Para falar do carnaval em Indaiatuba, eu sou suspeita, coloco todas as minhas forças e economias para participar. Aliás, aprecio o carnaval brasileiro, as belíssimas fantasias. Já fui até assistir no Rio de Janeiro.

A igreja é o lugar que mais amo e venero, casa de oração e de Nossa Mãe, ali eu me sinto no céu.

Deus para mim é tudo. Pai e mãe. Viver com Deus é viver na luz. Sem fé, é trevas.

O Manoel de Miranda... fora de série, esse são-paulino.

Recebi homenagem na Prefeitura de Indaiatuba, no governo do Prefeito Reinaldo Nogueira, hoje Deputado Federal. Recebi o convite dele e participei.

Outra vez foi na Câmara Municipal também no governo dele. Quando eu saia, ele me falou: “E a polenta com carne moída quando sai?” Recentemente também fui lembrada pelo vereador Adalto Messias de Oliveira.

E, como Tia Izabel, também fui fotografada ao lado de amigos e queridos.

Mas... Eu quero ser a Candelarinha de Indaiatuba: merendeira, cozinheira, boleira, doceira, rezadeira, baiana de escola de samba. Candelarinha de caldeirada, feijoada e da polenta com carne moída.

Mas, meu nome verdadeiro é mesmo Anistarda, eu respeito porque é o nome também de uma das minhas avós.

Não sei o significado do nome, mas pode sugerir muita coisa: mulher de tenente francês, pseudônimo de modelo fotográfico, muambeira fichada na delegacia de polícia, marca de remédio, frentista de posto de gasolina. Depende da imaginação de cada um...

Realmente, pouca gente sabe o meu nome. Todos me chamam de Candelarinha. Candelária - nome da nossa padroeira, isso é importante.

O que importa mesmo é que eu sou feliz, na minha cidade de Indaiatuba.


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(1) Candelarinha nasceu em Indaiatuba na década de 1920 e escreveu esse texto com a colaboração de Cecília Berdu de Campos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Imagens da Feijoada em Friburgo 13/06/2010

As imagens seguintes são da colônia alemã de Friburgo, que fica na divisa de Indaiatuba com Campinas, perto do aeroporto de Viracopos. Todas foram feitas ontem, domingo dia 13/06/2010, quando descendentes de suiços e alemães fizeram uma de-li-ci-o-sa feijoada beneficente para a Sociedade Escolar do Bairro Friburgo.


 O Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc) já reconheceu a importância histórica do Bairro de Friburgo. (leia mais aqui)

















As responsáveis pela deliciosa feijoada!



Foram no bairro de descendentes alemães e suiços, o casal formado por meus dois primos distantes: ela, descendente de imigrantes italianos, parentes da minha avó paterna Albina Vacker, que imigraram para Porto Feliz (SP); ele, descendente de imigrantes espanhóis, parentes do meu avô materno José Quinteiro, que imigraram para Indaiatuba.






Participe das atividades promovidas pelas colônias de imigrantes e migrantes!

sábado, 12 de junho de 2010

O "JUBA" da Santa Rita

Desde sua fundação em 22 de maio de 1964, a igreja Santa Rita de Indaiatuba, que na verdade chama-se Santuário Ecológico de Santa Rita  foi, durante este tempo, marcada por ações de inovação do pároco Padre Xico, que sempre liderou e incentivou ações diferenciadas de louvor, congregação e ações sociais, essas últimas quase sempre motivo de descontentamento por parte de fiéis mais ortodoxos, que entendem que religião não tem "nada  a ver (ãh?)" com política. [SIC!].

Uma de suas ações foi incentivar a juventude a praticar esportes. Durante algum tempo, a escola apostólica da paróquia tinha um time, que se chamava JUBA.

Abaixo está uma foto tirada em de 1974 no Colegio Anchieta em Nova Friburgo/Rio de Janeiro, onde alguns indaiatubanos estudaram. Nesse time há vários jovens que viriam, apos pouco tempo, a participar do JUBA da Santa Rita. Essa informação, de Gilmar Estevam de Araújo (agachado, o último da direita) é confirmada por Carlos Alberto Rezende Lopes, o vereador Linho, que participou do JUBA:

" _ Esse time da imagem, embora tenha algusn componentes do JUBA da Santa Rita, não é o time original, uma das minhas pistas é o calçado que estão usando".

Para ver maior, clique que a imagem amplia.



Da esquerda para a direita, em pé: O 1º é Fernando Cézar, o 2o é Rodrigo, o 3º é Dimas Tadeu Beato, o 4º Carlos Alberto de Castro o 5o é Luiz, o 6o é Seu Padre (apelido) e o último é Marcos.

Da esquerda para a direita agachados: o  1º é  Paulo Nakata, o 2o. é o Rubens Furgeri (Pinga), o 3º é o  Antonio Luiz Vialta (falecido num acidente de moto no cruzamento da Major Fonseca com Kennedy), o 4o. e  Luiz (talvez o sobrenome seja Stifter) e o 5º é o Gilmar Estevam de Araújo, filho de Álvaro Estevam de Araújo, que gentilmente sempre cede cópias de imagens para esse blog.

Gilmar informa ainda que "_  próximo dia 03 de julho vamos fazer um encontro do JUBA na Santa Rita, afinal fazem 35 anos que tudo isso aconteceu."



Auxiliaram na identificação:
Luiz Antonio Ambiel da Bicicletaria Ambiel;
Vereador Carlos Alberto Rezende Lopes, o professor Linho e
Gilmar Esstevam de Araújo.



Você tem mais informações ou imagens  sobre o JUBA? COMPARTILHE!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Salto Antiga


Imagens da nossa vizinha Salto. Clique para ampliar.

Todas as imagens originais pertencem ao acervo do Museu do Município de Salto. Visite-o!


Trabalhadores na construção da obra do canal da Usina de Porto Góes em 1924




Professor Antonio Berreta e seus alunos em 1924


Associação Atlética Saltense, primeiro time, em 1936




Operárias trabalhando na Fábrica Ítalo-Americana no ano de 1910



Bloco de Carnaval no ano de 1938

terça-feira, 8 de junho de 2010

Toada

texto de Deize Clotildes Barnabé de Moraes

Originalmente publicado no livro "Um Olhar Sobre Indaiatuba" (I) - 2006

Ele chegava no início do outono, quando o milharal estava túrgido de seiva, as folhas quase negras e as espigas arrebentando de sumo.
Descia o morro pelo caminho que vinha da parada do trem. Nunca se soube se ele vinha de trem ou se usava as linhas como guia para sua caminhada.
Vestia calças e camisa brancas, largas e apertadas por um cinto escuro. Os pés descalços pisavam ligeiros e mansos. Na cabeça um panamá curtido pelo sol. A tiracolo a viola no peito e a trouxa nas costas.
Mal era avistado pelas crianças, dedilhava suavemente as cordas numa toada clara que percorria os montes, as matas e as baixadas. Todas corriam ao seu encontro, anunciando, pelos caminhos:
_ O Anísio chegou... O Anísio chegou...
Sem muita conversa ele cumprimentava a todos com quem cruzasse, levantando o chapéu e inclinando ligeiramente a cabeça:
_ ... tarde!
_ Anísio, você quer um quarto na colônia?
_ O quartinho dos arreio tá mais que bão!... Agardecido.
Instalava-se silenciosamente no quartinho que servia como depósito de arreios e apetrechos dos cavalos. A pequena trouxa pendurava num prego, a viola em outro. Arrumava o pelego como colchão e uma cela como travesseiro.
_ Quer um cobertor, Anísio?
_ Num carece não... Se percisar tem a manta do cavalo.
Ao anoitecer levavam-lhe um prato de arroz com feijão. Não gostava de sopa (num tem sustança prum home...).
Sentava-se à soleira da porta e suavemente afinava a viola, harmonizando-a aos poucos, com seu dedilhar sereno. O som percorria todo o vale e chegava até às casas e grotas distantes. Homens, mulheres, velhos e crianças ouviam. Alguns saiam à porta ou à janela, outros se aproximavam do quartinho e acomodavam-se ao seu redor, apoiados nos calcanhares, picando o fumo, enrolando seus cigarros de palha e fumando-os com expressão séria e concentrada. As crianças, invariavelmente, rodeavam-no e entoavam trechos de alguma melodia conhecida. Tudo estava em paz.
No dia seguinte, ia trabalhar no eito, junto com os colonos, como se sempre tivesse estado ali. Era um deles.
Era quase um deles... Diferenciava-se pelo cuidado de mãe que tinha para com os animais, principalmente as cobras.
- Não devo fazer mal a elas para não perder o dom.
Ele tinha o dom de benzer pessoas picadas de cobras e curá-las...
Seria um deles ainda se não fosse a atenção carinhosa ao crescimento do milho. Apertava delicadamente as espigas em maturação, trincava um ou outro grão nos dentes. Vigiava sua suculência para perceber “a vez”.
Quando seu toque denunciava que o milho estava “no ponto”, abandonava a lida e dedicava-se a colher o milho verde desde bem cedinho, mal o sol nascia: apanhava as espigas, transportava-as em jacás repletos, carregados dois por vez, apoiados nos ombros e depositava-as em seu quartinho.
Descascava-as, separava as palhas mais tenras para a embalagem. Ralava as espigas num antigo ralador de alumínio, coava parte do sumo em grandes tachos de cobre. Ia juntando açúcar a uma parte e sal a outra. Juntava a um, pedaços de queijo, a outro, pedaços de lingüiça. Uma terceira parte era deixada só com o açúcar. Enchia pacientemente as pequenas trouxas feitas da palha tenra e depositava-as delicadamente, em ordem meticulosa, em uma grande vasilha de água fervente, aquecida ao fogo feito ali mesmo no chão do quarto, com pedras.
O cheiro da pamonha a cozinhar, seguia o caminho dos sons da viola: dos vales às grotas mais distantes. Todos sentiam.
Ao anoitecer, as pamonhas já prontas e ainda quentes, eram arrumadas em grandes peneiras de taquara. Ele vestia sua roupa branca imaculada, sentava-se à soleira e dedilhava a viola. O som juntava-se ao cheiro do milho cozido. Era o chamado...
Vinham todos. Como em procissão.
As crianças, barulhentas, aos pinotes, chegavam primeiro.
Os mais velhos iam chegando calmamente, cumprimentando-se, tirando o chapéu, servindo-se e servindo as crianças.
Sentavam-se ao redor do fogo aceso no terreiro em frente ao quarto e comiam calmamente, comentando os vários sabores:
- Esprementa essa... de queijo...
- E essa... de lingüiça...
- Perfiro sem nada, só com doce...
Silenciando-se... Em comunhão.
Aparecia uma garrafa de pinga. Era passada de mão em mão.
A viola se incendiava.
A dança começava, natural, inevitável.
Todos dançavam... crianças, jovens, adultos, até os velhos. Em celebração.
Acabada a pamonha, a viola emudecia, todos se despediam ainda afogueados da pinga, da dança e dos sabores. Iam para casa, alguns carregando as crianças que dormiram, outros ligeiramente cambaleantes. Felizes. Plenos.
Anísio acabava, aos poucos, com o que restara da pinga. Sem alteração nenhuma visível.
Apagava a fogueira ainda em brasas, arrumava o quarto e a trouxa, depositava as palhas no aterro, dependurava o pelego e a sela que lhe serviram de cama e travesseiro, varria o chão, guardava a viola.
Quando o sol começava a despontar atrás do morro ele já ia subindo a estrada, ligeiramente cambaleante, a viola ao ombro. Muda.
_ ...dia Anísio.
_ ... !
Até o próximo outono.

domingo, 6 de junho de 2010

Helvetia no O Estado de S. Paulo, 6/6/1910 e 13/06/1910


Publicado no jornal O Estado de São Paulo em 06/06/1910






Publicado no O Estado de São Paulo em 16/06/1910


Colaborou: Ralph M. Giesbrecht

terça-feira, 1 de junho de 2010

ETE Mario Araldo Candello - Um Orgulho para os Indaiatubanos - até quando?


Na manhã de hoje, 1o. de junho de 2010, foi inaugurada pelo SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgotos de Indaiatuba - sob a superintendência do Engenheiro Alexandre Peres - a Estação de Tratamento de Esgoto Mario Araldo Candello, no Distrito Industrial Vitória Martini, em Indaiatuba. Eis a grandiosidade da obra, exposta em números:

- 100% do esgoto doméstico, é o potencial de tratamento que está sendo divulgado.
- 20 anos é o tempo previsto de funcionamento, sem necessidade de expansão para manter essa meta (de 100% ) de tratamento. (Esse dado mudou 1 ano após a publicação deste post).
- 40 milhões de investimento advindos, na maior parte, de recursos do próprio SAAE e também do PAC.
- 1,5 milhões advindos do governo do Estado, segundo Rogério Nogueira Lopes Cruz, deputado.
- 1999  foi o ano em que teve início as obras, na gestão de Tadao Toyama, importante lembrança citada pelo prefeito Reinaldo Nogueira Lopes Cruz.
- 95% é a eficácia mínima de remoção de DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio do sistema de tratamento implementado.
- 80% é o mesmo fator na redução de nutrientes desse sistema.
- 2 lagoas com lodo ativado de aproximadamente 170 metros de comprimento, 70 metros de largura e pontos com até 6 metros de profundidade é onde o esgoto sofrerá tratamento biológico.
Mais 2 lagoas de receptação estarão disponíveis,  caso seja necessário o processo de remoção mecânica do lodo.
- 200 mil, aproximadamente, é o número de habitantes de nossa cidade que deveriam sentir muito orgulho na data de hoje.
- Um número imensurável é o tamanho do benefício para um número também imensurável de cidadãozinhos das próximas gerações, que com certeza usufruirão de um Rio Jundiaí menos poluído e quem sabe mais piscoso.



A Técnica de Tratamento

É biológica, com o objetivo de reduzir o DBO, preservando o oxigênio e eliminando matérias orgânicas.

No esgoto doméstico, há materiais orgânicos e diversas bactérias, muitas delas transmissoras de doenças que se alimentam dessa  mesma matéria orgânica, digerindo-a em um processo onde, entre outros, é necessário o oxigênio. Forma-se um círculo vicioso: quanto mais matéria orgânica, mais bactéria que disputam entre sí o oxigênio, que se extingue, matando assim as bactérias. Só que as bactérias mortas se trasnformam em alimento também e se chegarem nos mananciais, como no caso do Rio Jundiaí, vão continuar o círculo até o oxigênio chegar ao fim. Daí a necessidade de se controlar - ou melhor, reter - a quantidade de matéria orgânica que é jogada diariamente - com e através de nossos dejetos  - nos mananciais.

O funcionamento da ETE



O esgoto captado na cidade chega através da tubulação na ETE, onde primeiramente é submetido à um tratamento preliminar: os resíduos mais sólidos - até 30 mm - são filtrados e retidos. Em seguida vai para uma estação elevada, que por sua vez retém sólidos com até 6 mm.


A medição da quantidade do esgoto é feita, por enquanto, somente na entrada - em um equipamento denominado Calha Parshal.


Antes do tratamento biológico nas lagoas, os esgoto também passa por desarenadores, onde materiais sedimentáveis como a areia são retirados.

Após essas etapas do tratamento preliminar, o esgoto praticamente é enviado para as duas lagoas providas de um sistema de aeração gerado na Casa dos Sopradores. Essa oxigenação artificialé que vai manter as bactérias que se alimentam dos dejetos do esgoto "vivas", impedindo o círculo vicioso citado.  A energia utilizada advém de uma estação  de energia primária. Esse tratamento biológico é finalmente completado por decantadores, que retém mecanicamente o lodo do fim do processo.

Além dessa estrutura toda, que espanta principalmente pelo tamanho das lagoas artificiais, ainda há um Auditório, o Laboratório de Controle da Qualidade para analisar os efluentes e um Centro de Control e Operacional.


Mário Araldo Candello

Foi através de um projeto-Lei do então vereador João Martini Neto, atualmente superintendente da FIEC que a ETE recebeu o nome de Mário Araldo Candello, fato este citado pela filha do homenageado que esteve presente ao evento, a professora Adelai Candello.

Mário Candello nasceu em Jundiaí no dia 30 de março de 1931. Desde jovenzinho trabalhava como escriturário em uma empresa que o pai tinha aqui em Indaiatuba, de máquinas agrícolas. Casou-se em Indaiatuba e teve três filhos. Em 1946 fundou o Despachante Líder, a primeira empresa do setor aberta em Indaiatuba, que existe até hoje. Nela trabalhou incansavelmente, mesmo após aposentar-se no ano de 1967.

Foi fundador do Clube 9 de Julho, da Congregação Mariana e vereador. Elegeu-se prefeito e cumpriu o mandato de 1969 até 1973, período em que liderou importantes feitos: substituiu a iluminação dos postes públicos de incandescentes por mercúrio, construiu e inaugurou as escolas Helena de Campos Camargo, Dom José de Camargo Barros e instalou o Hélio Cerqueira Leite onde hoje é o prédio da FATEC e inaugurou o SAAE, com sua ETA 1.

O prefeito Reinaldo Nogueira Lopes Cruz compartilhou, aliviado, a satisfação da inauguração da ETE com dois participantes aos quais ele referiu-se como "as pedras no sapato" que muitas vezes inpulsionaram a obra: o promotor do Meio Ambiente Fernando Grosso e o funcionário da CETESB Domenico Tremaroli. Ambos demonstrarm em sua falas a satisfação pela conclusão da obra, tida como uma "declaração de amor" à natureza. Que ambos, promotor e funcionário da CETESB continuem a fazer seu papel, pegando cada vez mais no pé das indústrias, que também devem ter suas ETEs em conformidade com os requisitos legais e regulatórios e também das outras prefeituras da região pois não será apenas a nossa já tão querida ETE Mário Candello que tirará o Rio Jundiaí da fase terminal em que agoniza há anos.

Na satisfação do superintendente Engenheiro Alexandre Peres,  podemos, sem temor de exagerar, estender a satisfação de todos os funcionários do SAAE, de todos os operários que acentaram cada tijolo, das empresas contratadas para prestar mão de obra na terraplanagem, construção, implantação de sistemas de operação e controle. Cada um fez a sua parte nesta obra, enaltecida pela atual gestão  - do Prefeito Reinaldo Nogueira - como a maior obra de saneamento do século.

Um pouco de História





Cópia Eletrônica de imagem de Coletor de Esgoto de Indaiatuba (1936)
Foto  original do acervo do Arquivo Público Municipal de Indaiatuba Nilson Cardoso de Carvalho 
Fundação Pró-Memória de Indaiatuba


Relatório feito no final da década de 1930 em nossa cidade, constatou que o esgoto era a mesma coisa que lixo, no que tange ao destino dado. Assim por "esgoto" classificou-se a água usada para diversos fins, misturada com restos de alimentos, dejetos e outros materiais chamados de lixo.

Em algumas casas tudo isso era parcialmente separado e assim destinado: a água suja era simplesmente jogada nos quintais, os restos de alimentos eram jogados em grandes latas de querosene ou banha e quando lotadas do que se chamava de lavagem, eram retiradas por por criadores de porcos da redondeza. Nas casas onde existiam poços do tipo caipira, que outrora serviram para retirada da água, eram jogados os dejetos de penicos e privadas, obviamente sem tratamento algum, até que um dia, tais poços, inviabilizados para tal fim, eram para sempre entupidos - com mais lixo - e desativados.

Já nas casas onde não havia poços, que eram a minoria nessa época, o esgoto era posto em latas, tanto a parte líquida como sólida. As latas eram postas diariamente na rua, de onde eram retiradas por uma carrocinha especial da prefeitura. Sim, essa mesmo que você vê na imagem! Uma espécie de carrocinha puxada por um burro, onde havia uma pipa de madeira com uma abertura com um funil. O esgoto das latas era despejado nessa pipa, a parte líquida ficava armazenada e a parte sólida era retornada para outras latas, também recolhidas por carroceiro da prefeitura. Os carroceiros levavam a carga para os arrebaldes não muito distantes da cidade _ caso contrário, o burro não aguentaria _ e ali tudo era despejado, sem tratamento algum.... E morosamente tudo embebido pelo terreno, pelos nossos terrenos, onde haviam indaiás!

Obviamente, na época, a população reclamava do mal cheiro e das sucessivas epidemias, também provocadas pela proliferação de mosquitos que tinham nesses terrenos um verdadeiro berçário como criadouro. Mas tudo isso não era muito diferente do que acontecia em outras cidades por essa Brasilzão afora.


Mas agora, agora é diferente!

Nossa cidade agora não é mais categorizada como "mais uma" que possui as mesmas condições de saneamento básico do que tantas outras.
Não é.
Segundo dados apresentados hoje, é a única com o número de população que temos, com uma Estação que tratará 100% do esgoto doméstico.(Não foi dito por quanto tempo...)
Isso é desenvolvimento sustentável.
Isso é respeito pela natureza, pelos moradores, pelos cidadãos.
Investir os impostos que pagamos em uma grandiosa obra como essa, é dar retorno justo.
Congratulo todos os anônimos que trabalharam na viabilidade política, técnica e econômica da obra em nome de Alexandre Peres, este filho de nossa terra, filho de Bernadete e Wanderley.
Com certeza, Alexandre, seu pai, que tanto se dedicou ao SAAE durante seus 10 anos como funcionário, de onde ele está, deve estar muito orgulhoso dessa obra que você, como tantos outros - a maior parte dos quais nunca serão citados pela História_  fez parte da viabilização.
Especificamente hoje tenho mais orgulho de ser INDAIATUBANA.


















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Indaiatuba - A cidade que tinha um urubu de estimação

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