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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Engenho d’Água: uma casa de tradição bandeirista em Indaiatuba, Estado de São Paulo ©

Texto de Celso Lago Paiva* (1996)
Membro fundador e Coordenador do Grupo de Estudos de História da Técnica –GEHT/CMU/UNICAMP


Buscando remanescentes de construções coloniais do período paulista do açúcar, como pesquisador de História da Técnica Construtiva, procedi ao levantamento da sede da Fazenda Engenho d’Água, produtora de café no século XIX no território da vila de Indaiatuba, na Provincia de São Paulo.

A análise plani-altimétrica, geográfica e de arqueologia construtiva, realizada entre setembro de 1995 e junho de 1996 (Paiva, 1996a, 1996b, 1997 e 1998), levou-me a concluir ser a construção uma legítima casa de tradição bandeirista (conforme a definição de Katinsky, 1972 e 1976).

Ergue-se a sede do Engenho d’Água próxima ao ribeirão Barnabé, servindo hoje como sede da Administração Regional da Morada do Sol, bairro que a envolve. A fazenda foi produtora de açúcar, tendo engenho real (movido a água) há muito desaparecido, que deu nome à propriedade.

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Imagem de Celso Lago Paiva . Imagem da Revista da Tribuna

Atribuo a construção ao período 1750/1770, sendo assim a mais antiga edificação do município de Indaiatuba. Uma construção tão antiga, e em mãos do poder público, deverá ser restaurada. As pesquisas estão adiantadas, fornecendo os elementos necessários para uma restauração séria e baseada nas melhores técnicas (Paiva, 1997).

A sede da Fazenda Pau-d'Alho, situada na Estrada Imperial, no território da cidade vizinha de Itu, pertence ao mesmo partido de tradição bandeirista e tem características construtivas muito semelhantes às da sede do Engenho d’Água.

De grande importância é o fato de que a sede da Fazenda Engenho d’Água se constitui na única construção rural setecentista na região ituana conservada pelo poder público. Entre as casas de tradição bandeirista, apenas a casa do Quinzinho em Sorocaba encontra-se sob domínio público.

Esse fato avaliza a sugestão do necessário tombamento a níveis estadual e municipal, recomendável por sua importância na história da técnica construtiva rural paulista, pela retenção de muitas características originais e pela grande probabilidade de que a restauração permita recuperar feição próxima à original (Paiva, 1997).

Cabe ao poder público de Indaiatuba a responsabilidade de valorizar seu patrimônio histórico, como já fez ao apoiar a criação da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba (que promoveu em junho de 1996 o Curso de História da Técnica das Construções Coloniais em São Paulo) e ao desapropriar e recuperar o Casarão do Pau Preto (Carvalho,1984), que hoje honram o município.

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Referências bibliográficas citadas pelo autor:
CARVALHO, Nilson Cardoso de, 1984. Arquitetura em taipa, um dos últimos remanescentes em Indaiatuba. Indaiatuba, s. ed., 13 p., il.
KATINSKY, Júlio Roberto, 1972. Casas bandeiristas: nascimento e reconhecimento da arte em São Paulo. São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/ USP, Tese de Doutorado.
KATINSKY, Júlio Roberto, 1976. Casas bandeiristas: nascimento e reconhecimento da arte em São Paulo. São Paulo, Instituto de Geografia/USP, 183 p., il.
Apêndice .

CONSELHO MUNICIPAL DE PRESERVAÇÃO RESOLUÇÃO CMP No. 02/97

O Conselho Municipal de Preservação de Indaiatuba, por decisão unânime dos Conselheiros presentes à reunião extarordinária realizada em 10 de outubro de 1997, no uso das atribuições legais a ele conferidas pela Lei Municipal no. 3.328 de 11 de junho de 1996, e:
Considerando que a antiga sede da Fazenda Engenho D’Água, atualmente ocupada pela Administração Regional do Jardim Morada do Sol, vem sendo apontada, por estudos recentes, como a mais antiga edificação remanescente do município, sendo sua construção datada de aproximadamente 1755;
Considerando que o referido bem edificado apresenta características arquitetônicas que permitem identificá-lo como de tradição bandeirista, inserindo-o decisivamente no contexto da história da técnica das construções coloniais paulistas;
Considerando que o bem edificado apresenta grande interesse para o estudo do povoamento inicial do município, bem como da evolução das técnicas construtivas paulistas.

RESOLVE:

Artigo 1o. - Abrir processo de tombamento da antiga sede da Fazenda Engenho D’Água, localizada na rua Zephiro Puccinelli, no Bairro Jardim Morada do Sol (Quadra 38/39, Lote s/n), sendo a quadra em questão limitada pelas ruas Coronel Julio Pereira Brum, Lino Lui e Carlos Alberto Garcia.

Artigo 2o. - A presente resolução compreende: - a edificação propriamente dita, construída em meados do século XVIII, com destaque para a disposição espacial de caráter bandeirista dos elementos construtivos, as paredes de taipa-de-pilão, as envazaduras antigas remanescentes e seus acessórios, os pisos de ladrilhos cerâmicos e de tijolões e o forro “paulista”; - o entorno da edificação, abrangendo toda a quadra em que se encontra, e que apresenta grande potencial arqueológico.

Artigo 3o. - Os projetos e as obras que envolverem intervenções físicas nessa área, podendo comprometer ou alterar os elementos protegidos pela presente Resolução, deverão ser submetidos à aprovação do Conselho Municipal de Preservação, nos termos da Lei no. 3.328 de 11 de junho de 1996.

Artigo 4.o - Essa Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. Indaiatuba, 13 de outubro de 1997./

Lúcia Steffen, Presidente do Conselho Municipal de Preservação.”
Publicado no Diário Votura (Indaiatuba) de 17 de outubro de 1997.

*Referência bibliográfica desta página: PAIVA, Celso Lago, 1997. Engenho d’Água: uma casa de tradição bandeirista em Indaiatuba, Estado de São Paulo.
Disponível na Internet: http://www.geocities.com/RainForest/9468/d_agua.htm. 23 set. 1997. Publicado originalmente em: Boletim do Centro de Memória - UNICAMP 1(4):5, out./dez. 1996.
© Direitos autorais registrados sob n.o 114802 no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional.
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No dia 17 de dezembro de 2008, o então prefeito de Indaiatuba, José Onério da Silva ratificou, através do Decreto no. 10108, os processos de tombamento de 7 bens de valor cultural de nossa cidade, entre eles, a antiga sede da Fazenda Engenho D´Água, localizada na Rua Zepherino Pucinelli, no Jardim Morada do Sol.
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